‘O Brasil não acompanhou a evolução das regras’, diz embaixador

‘O Brasil não acompanhou a evolução das regras’, diz embaixador

Para o Rubens Barbosa, que o preside o Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, o País pode se beneficiar de acordos menores

Entrevista com

Rubens Barbosa

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Para o embaixador Rubens Barbosa, que preside o Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, enquanto os grandes acordos são negociados, a economia brasileira pode se beneficiar de entendimentos menores fechados recentemente com países da região.

Dá para esperar resultados imediatos da estratégia de acelerar acordos comerciais? 

Tem vários níveis e algumas coisas são imediatas. O governo Dilma, nesse último ano, cedeu às pressões do setor privado, da Fiesp, e iniciou conversas com Colômbia, Peru, México. No caso da Colômbia, fizeram um mini acordo automobilístico. Acho que o aprofundamento dos acordos com Colômbia e Peru e a ampliação do acordo com México podem gerar resultados a curto prazo. 

E as outras negociações?

As novas negociações, como União Europeia e Canadá, vão ser demoradas. No caso da União Europeia, tem muita gente que acha que não vai sair o acordo. Eu acho que vai, de alguma maneira – uma coisa menor. Mas isso vai demorar um ano, um ano e pouco.

Mas já dá um pequeno fôlego, não? É o que se persegue, ao se falar em acelerar os acordos?

Acelerar quer dizer ampliar. Nos governos Lula e Dilma, eles ficaram com aquela ideia da OMC (Organização Mundial do Comércio), da Rodada Doha. Fracassou a Rodada e eles ficaram sem discurso. Porque o mundo inteiro, até países que nunca negociaram acordo, como Japão e China, mudaram de posição. Enquanto assinamos três ou quatro acordos vagabundos, eles fizeram 400. E o Brasil ficou fora. 

O quanto isso é ruim?

O Brasil ficou fora das cadeias globais. E não acompanhou a evolução das regras. No caso do TPP (Acordo Transpacífico), por exemplo, o que aconteceu foi que os americanos vieram com novas regras e houve uma negociação. Cada país colocou um limite. O Vietnã, um país comunista, aceitou criar sindicatos livres. Ou seja, essas coisas são tão importantes que mesmo um país comunista como o Vietnã é mais flexível do que esses petistas daqui, que criticam as regras e dizem que vamos assinar embaixo do que querem os EUA.

O empresariado ainda está resistente a esses acordos? Ou a retração os empurra a buscar o mercado externo?

Acho que tem duas coisas. Primeiro, isso. E, segundo, a política industrial dos últimos anos fracassou. Há um processo de desindustrialização em curso. Ficamos fora dos movimentos de modernização. Então, estão pelo menos querendo ouvir. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.