O mundo mágico do haicai

Há pelo menos 2 mil brasileiros que se dedicam a esta forma poética, que teve como admiradores (e autores) mestres como Monteiro Lobato, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade

Tatiane Matheus ,

18 de maio de 2008 | 02h36

Eles são sintéticos, sensacionais e chegaram ao Brasil com os primeiros imigrantes. Acertou se você pensou nos haicais, aqueles poeminhas japoneses que conquistaram o País e tiveram como admiradores (e autores) mestres da nossa literatura como Monteiro Lobato, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade. Leia também: Toda uma vida em versosFica difícil não se surpreender com o lado singelo dos haicais. 'Na poça da rua /O vira-lata/Lambe a Lua', escreveu Millôr Fernandes, outro craque dessa modalidade de poesia no Brasil.Mas a arte não vive apenas dos grandes nomes, mas de todos que a praticam diária e anonimamente. Caso de pelo menos 2 mil brasileiros que se dedicam aos haicais. Vários deles estão reunidos nos chamados grêmios, espalhados pelo País. São Paulo, onde a imigração começou, abriga o mais antigo, o Grêmio Ipê, criado em 1987 por Hidekazu Masuda. Mais conhecido como Mestre Goga, ele está com 97 anos e já recebeu prêmios no Japão. 'Ele diz que, ao abrir a janela ao acordar, já nasce o primeiro haicai do dia', conta Teruko Oda, sobrinha de Goga e sua discípula nas letras.Masuda é considerado fundamental para o surgimento dos haicais tradicionais no Brasil. 'Isso só foi possível com os ensinamentos dele', diz Francisco Handa, do Grêmio Ipê. 'Até então, quem apreciava a arte não a entendia.'Outro grêmio importante é o Caminho das Águas, de Santos, que se reúne no segundo sábado de cada mês. Nos encontros, os integrantes levam seus poemas e apresentam aos demais. ' Fiz amigos preciosos nas reuniões de haicai', conta Regina Alonso.Haiku?Conhecido nos cinco continentes como haicai, esse poema conciso (leia quadro ao lado) deveria se chamar haiku. 'Ku significa 'palavra com sabor de leitura' e kai, 'criticar, satirizar ou gracejar '', diz o haicaísta René Taguchi. A modificação ocorreu por obra dos imigrantes e, hoje, é comum chamarem de haicais os textos escritos em português e haikus os feitos em japonês.Fora a polêmica do nome, podemos dizer que esses poemas não têm título, usam palavras cotidianas (parte da beleza deles está aí) e a rima não é obrigatória. O haicaísta deve captar o momento, como se o poema fosse uma foto.ConcursosOs haicais serão tema de vários eventos. Quem for hoje à Saraiva do Shopping Pátio Paulista, por exemplo, poderá acompanhar uma oficina de haicai, às 16 horas. Também é possível participar de dois concursos: o Prêmio Masuda Goga, da Saraiva (inscrições até 6/6), e o III Concurso Nacional de Haicais Caminho das Águas (até 31/5). Veja detalhes e outros eventos no portal do Estadão (http://www.estadao.com.br/).  Para saber mais » Neste domingo, haverá na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista uma oficina de haicai ministrada por Teruko Oda, às 16 horas. » Amanhã, dia 19, haverá uma reunião de haicai na Galeria Deco, na Rua dos Franceses, 153, às 19h30.  » Quem quiser pesquisar livros de haicai ou outros relacionados à cultura japonesa pode consultar a biblioteca da Fundação Japão. Na Avenida Paulista, 37, 2 ° andar, de segunda a sexta-feira, das 10 às 20 horas. O cadastro é gratuito e tem a validade de um ano. Basta levar levar carteira de identidade, de motorista ou o passaporte; comprovante de residência e duas fotos 3x4 recentes. » No dia 5 de junho, haverá o lançamento do livro Clarões do Japão nos Trópicos, de Carlos Roque, no salão nobre do Nikkey Palace Hotel, na Rua Galvão Bueno, 425, Liberdade, às 19 horas. E na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista haverá a exposição Haicai um Olhar Fotográfico, que contará com a presença do Mestre Goga. » As inscrições para o III Concurso Nacional de Haicais Caminho das Águas ocorrem até o dia 31 de maio. Os kigos são sabiá e quaresmeira. Mais informações: orgone@terra.com.br ou anjosconosco@uol.com.br. » Concurso de Haicais - Prêmio Masuda Goga. Inscrições até dia 6 de junho. Informações: eventos@livrariasaraiva.com.br.  

Mais conteúdo sobre:
Imigração japonesa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.