Oposição quer ouvir envolvidos na operação Porto Seguro no Congresso

Os partidos de oposição ao governo se articulam no Congresso para ouvir os servidores federais que estão sendo investigados pela operação Porto Seguro, da Polícia Federal, mesmo após a determinação da presidente Dilma Rousseff para exonerar e afastar os envolvidos.

JEFERSON RIBEIRO, Reuters

26 de novembro de 2012 | 15h53

A operação Porto Seguro foi deflagrada na sexta-feira e investiga o envolvimento de servidores do Executivo e de agências reguladoras num esquema que obtinha pareceres técnicos fraudulentos que eram vendidos para empresas interessadas.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos do governo federal e inclusive no escritório da Presidência da República em São Paulo e deteve três pessoas.

Também foram indiciadas 18 pessoas, entre elas a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, e o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves. Os dois foram exonerados de suas funções pela presidente.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), pediu, nesta segunda-feira, ao diretor da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Troncon Filho, o compartilhamento do inquérito da operação com o Congresso e encaminhou requerimentos de convocação dos envolvidos no esquema para prestar explicações.

Ele também quer que os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Advocacia Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, sejam convocados para prestar explicações sobre a investigação da PF.

"São setores que movimentam segmentos significativos (da economia), por isso temos que analisar todos os desdobramentos", disse o tucano à Reuters por telefone.

Entre os órgãos que foram alvo das buscas da PF estão o Ministério da Educação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

O envolvimento do diretor de Infraestrutura da Anac, Rubens Carlos Vieira, leva Dias a colocar em suspeição as concessões dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas, em janeiro deste ano.

"À época inclusive se contestou muito as empresas que ganharam, por não serem as mais credenciadas. Temos que saber qual influência isso teve sobre a privatização dos aeroportos", afirmou Dias.

Os requerimentos do senador ainda terão que ser aprovados pelas comissões no Senado para que os investigados sejam ouvidos. Como o governo tem maioria no Congresso, é possível que os pedidos do tucano sejam rejeitados.

Já o DEM ainda estuda qual a melhor estratégia para conseguir mais informações sobre a operação Porto Seguro e seus envolvidos.

A assessoria do partido disse à Reuters que o núcleo jurídico está estudando se é melhor convocar os envolvidos ou seus superiores, já que os investigados podem rejeitar a convocação das comissões.

A tendência, segundo a assessoria, é que até terça-feira seja fechada uma posição sobre a estratégia.

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