Países sul-americanos e árabes apóiam Venezuela em disputa com Exxon

Ministros do Exterior reunidos na Argentina divulgaram declaração conjunta.

Marcia Carmo, BBC

21 Fevereiro 2008 | 20h15

Em uma declaração conjunta, os ministros das Relações Exteriores da América do Sul e dos países árabes, reunidos em Buenos Aires, anunciaram sua "solidariedade" à Venezuela na disputa com a petroleira americana Exxon, afirmou o chanceler brasileiro Celso Amorim. No comunicado conjunto divulgado nesta quinta-feira, que tem 64 itens, os países sul-americanos e árabes afirmam que, de acordo com as Nações Unidas e os princípios de direito internacional, os Estados têm o "direito soberano" de explorar seus recursos, de acordo com suas próprias leis e suas políticas de desenvolvimento. "Nesse sentido, condenamos qualquer ação intimidatória contra a Venezuela ou qualquer outro país que possa afetar seu desenvolvimento econômico e social e sua cooperação com os países do Sul", diz o documento. Em entrevista a jornalistas brasileiros em Buenos Aires, Amorim disse que "o item que despertou interesse (na declaração conjunta) é a questão da Venezuela em relação às ações da Exxon e as ações, sobretudo, no que diz respeito a embargar os recursos que a Venezuela dispõe no exterior". "Houve uma manifestação de solidariedade com a Venezuela de todos os países da América do Sul e países árabes", afirmou Amorim. DisputaRecentemente, a Exxon embargou bens da Venezuela no Tribunal Internacional de Arbitragem. A Exxon reclama contra a decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de interromper contratos de exploração de empresas transnacionais na região da Faixa do Orinoco e passá-los à estatal PDVSA. Na semana passada, em meio a esta disputa jurídica com a Exxon, Chávez afirmou que poderia suspender a venda de petróleo aos Estados Unidos. Na entrevista com jornalistas brasileiros, Amorim falou ainda sobre a transição em Cuba, após a renúncia de Fidel Castro, esta semana, depois de 49 anos no poder. Quando questionado se acredita que a decisão de Fidel poderá acelerar um processo de abertura na ilha, Amorim disse que "esse é um problema dos cubanos". "Acho que essas velocidades, tudo é um problema deles. Eu acho que há uma situação de estabilidade, mas não no sentido de estagnação. O país está calmo, o país é tranqüilo. Eu acho que essa passagem mais formal agora do poder se dá de maneira boa, positiva. Mas são os cubanos que vão ter que resolver o que fazer", disse Amorim. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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