Palestinos fazem megaconferência para atrair investimentos

Evento busca estimular economia hoje muito dependente de Israel.

Rodrigo Durão Coelho, BBC

21 de maio de 2008 | 14h45

Apesar dos problemas internos e externos que enfrenta, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) deu início nesta quarta-feira a uma grande conferência para tentar atrair investimentos estrangeiros para a Cisjordânia. "Somos realistas, transparentes em relação a nossos problemas", afirmou à BBC Brasil, Samir Hasboun, presidente da Câmara de Comércio de Belém, a cidade bíblica onde está ocorrendo a conferência."Mesmo assim, acreditamos que temos muito a oferecer. Uma grande quantidade de mão-de-obra especializada e economicamente competitiva, vários produtos feitos utilizando padrões europeus de qualidade e garantias de organizações internacionais a eventuais investidores", disse ele."Queremos atrair investimentos especialmente no setor de construção, turismo e da indústria leve."Mais de cem projetos avaliados em US$ 2 bilhões deverão ser apresentados aos investidores que participam da conferência, que termina nesta sexta-feira. VantagensA Autoridade Nacional Palestina ressalta o fato de que 65% de sua população tem menos de 25 anos de idade e apresenta bons níveis de educação (apenas 6,5% de analfabestismo).Segundo os organizadores, o déficit de moradias existente tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza é uma oportunidade para construtoras estrangeiras.O turismo é outra indústria que o evento busca estimular. A organização afirma que "os territórios contêm mais de 1,6 mil sítios arqueológicos" e que a região "é chave para as três principais religiões monoteístas".A ANP afirma ainda que os investidores contam com garantias externas."Existe um fundo do Banco Mundial para os estrangeiros que investem aqui, além de um fundo de US$ 30 milhões do Japão", afirma Hasboun.Apoio internacionalA conferência foi sugerida pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em dezembro, em um encontro de governos doadores em Paris, como forma de incentivar a criação de um Estado palestino.O evento também conta com apoio americano. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Robert Kimmitt, é um dos cerca de 500 participantes, entre estrangeiros e palestinos.Empresas americanas como Cisco e Intel estão entre os patrocinadores da convenção.Também participam do evento o ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, e o ex-premiê britânico Tony Blair, atual representante do Quarteto (EUA, ONU, União Européia e Rússia) para o Oriente Médio. ObstáculosOs palestinos estão divididos física e politicamente. O Hamas controla a Faixa de Gaza e o Fatah, a Cisjordânia.Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento da economia palestina na Cisjordânia são os mais de 500 postos de controle israelenses, que dificultam a circulação de pessoas e mercadorias. Eles foram construídos depois do início do segundo Levante palestino, ou Intifada, no ano 2000. Israel alega que os postos de controle são importantes para a segurança do país. O Banco Mundial afirma que até aquele ano a economia palestina se baseava em investimentos do setor privado, mas depois se tornou dependente de gastos governamentais e ajuda externa. Calcula-se que entre 1999 e 2002 as exportações palestinas diminuíram em 60% e as importações, mais de 40%. A taxa de desemprego foi calculada em mais de 20% em média, tanto em Gaza como na Cisjordânia, no ano de 2007.Os Estados Unidos elogiaram a decisão israelense de desativar alguns postos de controle da Cisjordânia na semana passada, mas disse que outros ainda precisam ser removidos.DiversificarApesar da problemática relação, Israel é o maior parceiro comercial palestino. Mais de 70% das exportações e importações palestinas são feitas com os israelenses. Além disso, as mercadorias palestinas utilizam muito da infra-estrutura israelense para serem escoadas e alguns setores, como o energético, são completamente dependentes do país vizinho. Um dos objetivos da conferência, segundo Hasboun, é diminuir essa dependência."A relação com Israel não é de cooperação, mas sim de dominação e esperamos que essa conferência seja um ponto de partida para cooperarmos com outros países e mercados", disse ele.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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