Para Iata, alto ágio nos aeroportos pode elevar tarifas

O alto valor pago pelos vencedores do leilão de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas (SP) e Brasília é motivo de preocupação para a Iata, associação global de companhias aéreas.

Reuters

06 de agosto de 2012 | 16h48

Isso porque "as experiências internacionais não são boas", segundo o diretor da Iata no Brasil, Carlos Ebner. "Outros países fizeram (leilões de concessão) e aumentaram suas tarifas aeroportuárias", disse o executivo nesta segunda-feira durante evento do setor aeroportuário.

Ebner citou como exemplo a África do Sul, onde em 2011 as tarifas subiram 70 por cento, e o aeroporto de Nova Délhi, na Índia, onde as tarifas teriam subido mais de 600 por cento, sem dizer o período em que isso tenha ocorrido.

Em fevereiro, o governo realizou o leilão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, arrecadando 24,5 bilhões de reais.

No caso de Guarulhos, o ágio foi de quase 400 por cento, em Campinas foi de 160 por cento, enquanto Brasília teve o maior ágio, já que o lance final foi de 4,5 bilhões de reais, ante o piso de 582 milhões de reais.

Para o diretor da Iata, o aeroporto de Guarulhos é o mais "emergencial" entre os três aeroportos sob concessão. Ele acredita ainda que Cumbica não pode ser visto como concorrente de aeroportos como Viracopos e Galeão (RJ). "Porque Guarulhos é um aeroporto intercontinental."

Ebner disse ainda que Guarulhos possui mão de obra qualificada, é uma boa região para negócios e possui fácil acesso aos mercados.

"Mas o índice de conectividade está muito abaixo de outros países", disse o diretor, que vê os aeroportos de Miami, Lima e Madri como concorrentes naturais de Cumbica.

"Guarulhos tem que competir com os hubs internacionais", completou Ebner.

(Por Carolina Marcondes)

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