Paralisação dos professores em SP tem baixa adesão

Na capital, poucos profissionais pararam; sindicato diz que greve atingiu de 10% a 60% de acordo com a região

Luciana Alvarez, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2010 | 00h00

Poucos professores de escolas estaduais paulistas aderiram ontem à greve aprovada na sexta-feira pela assembleia geral dos sindicatos da categoria. A reportagem do Estado percorreu 16 colégios da capital e todos tinham aulas normalmente, apesar de faltas pontuais de alguns docentes. A categoria reivindica um aumento de 34%.

Escolas como a Marina Cintra e Paulo Macalão foram mais atingidas pelas faltas e funcionaram apenas parcialmente, mas não chegaram a fechar.

No interior, 2 das 80 escolas de Sorocaba não funcionaram, e os alunos tiveram de voltar para casa. Em Ribeirão Preto, os grevistas preferiram avisar os alunos sobre o movimento e prometem parar a partir de hoje.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação, a rede está operando normalmente, com alguns casos isolados de paralisação. Pelos cálculos do governo, menos de 1% dos 220 mil professores aderiram. Em nota, a secretaria diz que a baixa adesão comprovaria que "a tentativa de greve é um movimento político, inimigo da educação".

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) informou que a adesão varia de 10% a 60% do corpo docente, dependendo da região. "O importante é que em toda a rede temos algum índice de mobilização", disse a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. "Começamos a trabalhar hoje (ontem) e a tendência é de que a adesão aumente durante a semana."

Muitos professores estão descontentes com as políticas da gestão atual, mas ainda assim preferiram continuar a trabalhar. "Terminei meu doutorado e tudo que recebi foi R$ 40", reclama uma professora que pediu para não ser identificada. "Não penso em fazer greve porque, se faltar, perco a única chance de ter um aumento de verdade." Só podem fazer a prova do programa de promoção por mérito professores com poucas faltas. "Sofremos desvalorização e discriminação, mas a greve não é o caminho", afirmou Mirna Pignatari, agente de organização da escola José Cândido de Souza. "As greves nunca conseguem nada." COLABORARAM JOSÉ MARIA TOMAZELA, BRÁS HENRIQUE E MÔNICA PESTANA

CRONOLOGIA

Março de 2009 - Greve não evitou que o governo aprovasse prova para docentes temporários e curso seguido de exame para contratados em novos concursos

Julho de 2008 - Lei sobre transferência de escola provocou 22 dias de paralisação; sindicato não ficou satisfeito com resultado

Novembro de 2005 - Lei que limitava de tempo para a contratação de temporários provocou greve; governo recuou da decisão

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