Partes de corpos humanos são achadas em porão de universidade alemã

Corpos haviam sido doados para estudos médicos, mas aparentemente não eram usados há anos, levantando debate sobre as doações na Alemanha.

BBC Brasil, BBC

14 Março 2012 | 06h30

Uma universidade alemã está investigando a descoberta de centenas de partes de corpos humanos abandonadas - aparentemente há anos - no porão de seu instituto de anatomia, segundo relatos da imprensa europeia.

Segundo a versão online da revista Der Spiegel, os pedaços de corpos foram encontrados há cerca de três semanas na Universidade de Colônia. Eram de pessoas que haviam doado seus órgãos à ciência, para serem dissecados por estudantes de medicina.

Mas, mesmo depois de perder a utilidade para os estudantes, os corpos nunca foram enterrados. Três deles são de identidades desconhecidas e estavam há tempo indeterminado no porão da universidade, informa a Der Spiegel.

Um agravante à história é o fato de o diretor do departamento de anatomia da universidade ter sido encontrado morto, no mês passado, sob uma ponte de Colônia. Suspeita-se que ele tenha cometido suicídio, depois que começaram a surgir rumores sobre irregularidades no seu departamento.

Segundo um relatório policial inicial, citado pela imprensa local, funcionários da Unviersidade de Colônia encontraram uma sala da universidade repleta de corpos humanos e de animais, além de baldes plásticos etiquetados com palavras como "narizes" e "recém-nascidos". É possível que eles estivessem ali sem serem usados há cerca de uma década.

Um funcionário que pediu anonimato disse que o sistema de ventilação da sala estava quebrado, fazendo com que o local tivesse um odor ruim. A cena, disse ele, era "nojenta" e semelhante a "um filme de terror".

Oferta e demanda

O vice-reitor da universidade, Axel Freimuth, se disse "profundamente entristecido e chocado" com a situação.

O jornal britânico The Guardian diz que o caso abalou o ambiente acadêmico alemão e levantou debates sobre a doação de órgãos para estudos médicos.

"Ainda que seja tradicionalmente popular na Alemanha, essa prática aumentou nos últimos anos, quando o governo eliminou subsídios estatais para funerais e as pessoas começaram a buscar formas de economizar dinheiro", informa o jornal britânico. Com isso, a oferta de corpos doados à medicina superou a demanda. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.