PF investiga venda ilegal de peixe ameaçado

O acari-zebra chega a custar US$ 1 mil no mercado negro; rota de contrabando passa pelos Rios Xingu e Solimões

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

Um peixe que alcança no máximo 12 centímetros e custa até US$ 1 mil no mercado negro pode estar saindo mais facilmente do Brasil por uma nova rota de contrabando, saindo de seu hábitat, no Rio Xingu, no Pará, e descendo de barco pelo Solimões, no Amazonas, até a Colômbia.

A exportação do acari-zebra é proibida no Brasil, mas se o peixe entrar de forma ilegal em vizinhos como a Colômbia e Peru, onde não há proibição de comércio de peixes ornamentais, chega facilmente ao mercado asiático e europeu.

A rota de contrabando, investigada há dois anos pela delegacia ambiental da Polícia Federal no Amazonas, é admitida como muito difícil de fiscalizar. "Se nos aeroportos a fiscalização já é complicada, por faltar gente especializada na identificação do peixe, pior ainda é policiais treinados em abordar barcos com drogas saberem que alevinos em um aquário são de um peixe ameaçado de extinção", diz o delegado Carlos André Gastão. A captura do peixe é feita por "piabeiros", que ganham no máximo R$ 10 por cada peixinho.

Segundo a coordenadora da coleção de peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucia Rapp Py-Daniel, a procura desenfreada pelo peixe há cerca de seis anos provocou uma queda na densidade populacional da espécie. "O que também provoca um aumento de preço no mercado negro e mais procura. Enfim, um círculo vicioso", diz.

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