Piloto de GO anunciou tragédia em ligação, diz sargento

O voo da morte de Kleber Barbosa e sua filha Penélope foi anunciado. Por celular, após saber que sua mulher, agredida por ele, estava hospitalizada sem risco de morrer, ele avisou que haveria uma tragédia. Há 21 anos na Polícia Militar (PM) de Goiás, o sargento Adão da Mota Correia, tio de Erica, a mãe da menina, interceptou por telefone o sequestrador. Numa viatura, Adão conseguiu o primeiro contato por celular com o sequestrador por volta de 15 horas. Kleber naquele momento estava com a filha do casal em seu carro numa estrada em direção à cidade de Luziânia. "Neste primeiro contato eu já me assustei com a frieza dele", conta. Segundo o policial, a voz do sequestrador era de uma pessoa tranquila. "Nunca vi coisa igual."

LEONÊNCIO NOSSA, Agencia Estado

13 de março de 2009 | 18h43

Meia hora depois, Kleber disse, num segundo contato, que estava sobrevoando a Serrinha, setor nobre de Goiânia. O sequestrador havia roubado a aeronave do aeroclube de Brasília, que fica em Luziânia. "Não sabia que ele pilotava nem que era um doido, um potencial suicida", contou o sargento. Adão imediatamente disse a Kleber que Erica, retirada do carro e agredida com um extintor de incêndio horas antes, não tinha morrido e passava bem. "Você (Kleber) quer saber como está a sua mulher?", perguntou o policial. Kleber respondeu que sim. "Ela está bem, está no hospital, sem risco", informou Adão. Na avaliação do sargento, foi surpreendente a última frase do sequestrador durante o contato: "Então eu vou fazer uma merda pior".

A cúpula da PM já estava acompanhando o caso. O policial imediatamente conseguiu um helicóptero da corporação. Com outros quatro colegas de farda, tentou localizar o sequestrador pelos céus de Goiânia. Adão chegou a ver Kleber demonstrar três vezes que pousaria na pista do aeroporto Santa Genoveva e arremeter o avião. O bimotor Tupi chegou a passar a dois metros da asa de um Airbus da TAM que aguardava o embarque de passageiros. "Ele estava brincando com a gente", afirma Adão. "Era um louco, premeditou, planejou tudo."

Adão disse que teve certeza de que Kleber partiria para o suicídio quando viu o bimotor pilotado por ele deixar a área do aeroporto e seguir rumo ao Shopping Flamboyant. "Vi naquele momento que aconteceria o pior", diz. Foram 40 minutos do segundo e último contato até a queda do bimotor no estacionamento do shopping. Adão relata que não ouviu choro ou voz de Penélope nos dois telefonemas. "Fica uma dor, uma sensação muito ruim", conta. "Tentei argumentar, falei de Deus, da vida, da família, da menina, mas não tinha volta", afirma. "Fui profissional até agora, segurei a barra, mas amanhã acho que vou explodir."

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