Piñera pode obter até US$ 1,6 bi com venda da LAN

Empresa valorizou 137% após sua eleição à presidência do Chile

AP e Afp, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2010 | 00h00

SANTIAGO

Assessores do presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, de centro-direita, anunciaram ontem que ele já iniciou o processo de venda de suas ações da companhia aérea LAN e pode conseguir por elas US$ 1,6 bilhão. Piñera investiu na empresa cerca de US$ 700 milhões e vinha sendo criticado porque o valor dos seus papéis na Bolsa de Santiago subiu 30% durante a campanha e mais 137% depois que ele foi eleito.

Segundo seus opositores, o novo presidente não sabe separar seus negócios da política. Piñera havia prometido se desfazer de sua participação (de 26%) na LAN se vencesse. A previsão é de que o processo de venda da empresa seja concluído antes da posse, em 11 de março.

"Essa é uma transação muito relevante. Estamos falando de uma quantia que pode chegar a US$ 1,6 bilhão", disse Fernando Barros, assessor jurídico de Piñera e presidente do grupo de investidores Axxion, por meio do qual ele comprou 73% de suas ações da LAN. Segundo meios locais, a família Cueto, que tem participação majoritária na companhia, estaria interessada em comprar entre 27% e 54% dos papéis do empresário.

Em seus primeiros quatro dias como presidente eleito, Piñera já bateu de frente com a imprensa (ele exigiu que os jornalistas não o questionassem sobre suas empresas), desafiou o venezuelano Hugo Chávez, ao dizer que não concorda com o modelo de democracia da Venezuela, e deu munição para os opositores ao ganhar mais de US$ 300 milhões com a alta das ações da LAN.

CONCERTAÇÃO

Ontem, a coalizão governista Concertação foi fortemente abalada pelo anúncio de que o Partido Radical Social Democrata (PRSD), um dos quatro que fazem parte do bloco de centro-esquerda, fez um acordo com a direita e três deputados independentes para dirigir a nova Câmara dos Deputados.

Parlamentares governistas qualificaram os dissidentes de "traidores" e pediram à presidente Michelle Bachelet que tirasse o PRSD de seu gabinete. "Isso é pior do que ter perdido as eleições", disse o deputado Pablo Lorenzini, da Democracia Cristã, também da Concertação. Pressionado, à noite, o presidente do PRSD, deputado Fernando Meza, renunciou e voltou atrás, dizendo que o acordo ainda não estava fechado.

Os outros dois partidos que formam a coalizão governista são o Partido Socialista, de Bachelet, e o Partido Pela Democracia (PPD). A Concertação, que estava no poder havia 20 anos no Chile, mergulhou numa grave crise após perder as eleições presidenciais.

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