Planalto vê poucas chances de PR concretizar oposição no Senado

O anúncio de senadores do PR de que a bancada do partido decidiu ir para a oposição ao governo Dilma Rousseff não alterou a rotina do Palácio do Planalto, que viu o discurso mais como uma ameaça do que um perigo real, disseram à Reuters fontes do governo.

REUTERS

15 Março 2012 | 18h58

Insatisfeitos por não serem atendidos pela presidente na indicação do ministro dos Transportes, fatia que o partido já ocupou mas que hoje não reconhece como seu -apesar de a pasta ser comandada por um filiado da sigla, Paulo Sérgio Passos- senadores do partido anunciaram na quarta-feira que se juntarão à oposição.

Em agosto, semanas depois da demissão de Alfredo Nascimento da pasta por suspeitas de irregularidades, o PR já havia anunciado que deixava a base para ser "independente". Nem à época, nem na quarta-feira, falaram que entregariam cargos que ocupam na estrutura do governo federal.

"Eles têm mais interesse em ficar do que sair. Eles têm muitas coisas a perder. Por enquanto, não causa nenhum alarde", disse à Reuters uma fonte do governo, sob condição de anonimato.

Por enquanto, a decisão do partido é restrita ao Senado. O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), disse que o partido mantém posição de independência na Casa, e segue negociando.

Há poucas semanas, a presidente Dilma Rousseff ofereceu o comando da pasta ao senador Blairo Maggi (PR-MT), que não aceitou por considerar que ao ocupar o cargo geraria conflito de interesses com suas empresas. Segundo assessores do governo, o senador chegou a sinalizar o interesse de trocar a pasta dos Transportes por outra de importância similar, o que não foi aceito.

Outra fonte do Planalto afirmou que Dilma vai esperar a situação "distensionar", para retomar as negociações.

"O partido não sinalizou até agora que não quer mais os cargos que já ocupam, o que seria normal caso fossem mesmo para a oposição", afirmou a fonte.

Na visão de governistas, o motivo que levou à rebelião da bancada do Senado foi a escolha de Eduardo Braga (PMDB-AM) para a liderança do governo na Casa. Braga é adversário político de Alfredo Nascimento no Amazonas.

Nascimento é presidente nacional do PR e senador pelo Amazonas.

Um dos principais problemas no afastamento do PR do governo é a eleição municipal em São Paulo. O PT da Capital considera essencial o apoio da sigla, em especial por seu tempo de TV, ao pré-candidato Fernando Haddad.

Para garantir a aliança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou afastado das negociações políticas por problemas de saúde, deve entrar mais diretamente nas conversas.

O radar do governo também está atento a outro problema, segundo uma das fontes. Com a migração dos sete senadores para a oposição, há a possibilidade de abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Casa. Atualmente, os partidos de oposição não reúnem as 27 assinaturas necessárias para a criação de CPIs.

"É preciso vigiar, cuidar. Não foi uma surpresa e eles não devem fazer esse enfrentamento todo", disse a fonte.

(Reportagem de Hugo Bachega e Ana Flor)

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