Polarização entre petistas e tucanos chega a cidades médias

Estudo mostra que tanto PSDB como PT aparecem como 'organizadores explícitos' em São José dos Campos, Carapicuíba, Franca e Jundiaí

CLARISSA OLIVEIRA, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

A polarização entre PT e PSDB que vem guiando as últimas eleições presidenciais começa a tomar forma também na esfera municipal, aponta um estudo realizado por uma equipe do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), integrada pelo cientista político Fernando Limongi. Ao se contrapor à tese de que a estrutura federativa do Brasil dificulta a consolidação dos partidos, o texto mostra que, na maioria das 20 cidades paulistas com mais de 200 mil eleitores, as duas siglas são protagonistas nas disputas eleitorais, a exemplo do que ocorre nas corridas presidencial e estadual.

A força política dos dois partidos se dá de maneira explícita ou pela influência que exercem na organização partidária, defendem os pesquisadores. O levantamento detectou quatro grupos de cidades em que as duas siglas se destacam no jogo eleitoral municipal.

No primeiro grupo - em que aparecem os municípios de São José dos Campos, Carapicuíba, Franca e Jundiaí - esses partidos aparecem como "organizadores explícitos" do processo eleitoral. Em São José dos Campos, diz o texto, tucanos e petistas praticamente não enfrentam outros adversários desde 2000. Em 2008, por exemplo, Eduardo Cury (PSDB) venceu no primeiro turno o deputado Carlinhos Almeida (PT), com 57,2% dos votos contra 31,3%.

Num segundo grupo estão as cidades em que PT e PSDB lideram o processo eleitoral, porém com a presença de uma terceira força. É o caso de Ribeirão Preto e Sorocaba, onde o estudo detectou um papel relevante do DEM, ou ainda de Piracicaba e Campinas, onde têm peso PPS e PDT, respectivamente.

Um terceiro grupo inclui cidades em que o bloco de esquerda liderado pelo PT conseguiu se estruturar, graças ao fato de esses municípios terem servido como berço político para forças trabalhistas. Aparecem Santo André, Guarulhos, Osasco, Diadema e São Bernardo do Campo. No quarto grupo, estão municípios em que um dos dois partidos se apresenta como uma "força organizadora da disputa eleitoral", mas o outro tem um "comportamento instável", como Santos e Mogi das Cruzes.

O estudo analisou separadamente casos como o de Mauá,em que nenhuma sigla chegou mais de uma vez à prefeitura de 1996 a 2008. O quadro é semelhante em São José do Rio Preto, a não ser pelo fato de o PPS ter vencido em 2000 e 2004. Também no Guarujá predominam outras forças políticas, aponta o texto.

Para os pesquisadores, nas cidades onde não lideram as eleições, PT e PSDB muitas vezes "ditam o comportamento dos demais atores". "Encontramos fortes indícios de que o mercado eleitoral paulista está se fechando em torno de dois blocos que se enfrentam sistematicamente", diz o texto. "Não parece ser um mero acaso que sejam exatamente essas mesmas forças políticas a liderarem esse movimento nas principais cidades do Estado, antes o contrário. Esse movimento faz parte de uma estratégia das elites políticas de consolidação da força partidária." Ainda assim, aparece como exceção o caso de São Vicente, em que o PSB rouba a cena e chegou a atrair apoio de tucanos e petistas na última eleição.

TRECHOS DO ESTUDO

PT e PSDB se enfrentam e estruturam o jogo político nas eleições estaduais, nacionais e na disputa pela prefeitura da capital. Encontramos fortes indícios de que o mercado eleitoral paulista está se fechando em torno de dois blocos que se enfrentam e se alinham com os blocos políticos

Parece-nos que encontramos evidências empíricas para questionar a tese de que a estrutura federativa do País seria um obstáculo a mais para a consolidação de uma estrutura partidária mais organizada e homogênea

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