Polícia deve intimar Pagura para depor em Sorocaba

A Polícia Civil deve intimar esta semana o ex-secretário estadual de Esportes Jorge Pagura para depor no inquérito que apura um esquema de fraude em plantões no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Médico neurocirurgião, Pagura é suspeito de ter recebido por plantões não dados no hospital, o que ele nega.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

27 Junho 2011 | 17h35

Outra intimação deve ser dirigida ao ex-coordenador de Saúde do Estado Ricardo Tardelli, que teria conhecimento do esquema, segundo uma gravação. Os dois pediram demissão depois de terem sido envolvidos na investigação. Acusadas de envolvimento na fraude, 12 pessoas foram presas, mas já estão em liberdade. O Ministério Público (MP) informou que vai pedir a quebra do sigilo bancário de todos os suspeitos.

De acordo com o delegado Rodrigo Ayres, do Grupo Antissequestro de Sorocaba, o depoimento dos ex-integrantes do governo estadual é importante. "É preciso que eles venham depor para que possamos confrontar suas informações com elementos trazidos ao inquérito durante as investigações."

Segundo o delegado, a lei faculta aos acusados serem ouvidos nas cidades em que residem, por meio de carta precatória. Ele acredita que o ex-secretário e o ex-coordenador podem abrir mão desse direito, já que manifestaram interesse em colaborar com as investigações. "Creio que eles virão para esclarecer tudo mais rápido."

O advogado de Pagura, Frederico Crissiuma de Figueiredo, disse que o neurocirurgião tem pressa em ver tudo esclarecido e considera possível que ele deponha em Sorocaba. "Depende de como virá essa intimação, pois ainda não tivemos acesso ao inquérito. Ele tem direito de ser ouvido aqui (em São Paulo), mas pode ir a Sorocaba para que tudo seja esclarecido logo."

A força-tarefa que investiga a fraude nos plantões interceptou um diálogo entre Pagura e o ex-diretor do CHS Ricardo Salim em que discutem o ponto do neurocirurgião no hospital. Também foram apreendidos documentos sobre a frequência do médico no trabalho, mas testemunhas disseram que ele nunca apareceu no hospital.

Outro diálogo entre Salim e Tardelli foi entendido pelo MP como indício de que ele tinha conhecimento das fraudes, o que Tardelli nega. Os dois alegaram que pediram demissão dos cargos para colaborar com as investigações. A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Tardelli. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) pretendem conferir nas contas bancárias os pagamentos feitos aos envolvidos com dinheiro público.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.