Polícia dispersa manifestantes no gramado do Congresso

A Polícia Militar do Distrito Federal agiu de forma agressiva para encerrar ontem o protesto realizado em Brasília no gramado do Congresso Nacional. Depois de ser alvo de alguns rojões e sinalizadores, a polícia dispersou os milhares de manifestantes com diversas bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral atiradas para o alto e caindo no meio da multidão. Carros da PM cortaram ainda em alta velocidade os gramados da Esplanada em meio aos manifestantes que deixavam o protesto.

AE, Agência Estado

27 de junho de 2013 | 00h05

O aparato mobilizado pela Secretaria de Segurança do Distrito Federal envolveu 4 mil homens da Polícia Militar, incluindo a tropa de choque. Barreiras foram montadas em frente e na lateral do gramado do Congresso, além de proteger os prédios do Palácio do Itamaraty, depredado na quinta-feira passada, e do Ministério da Justiça.

A ação da PM começou por volta das 21 horas, quando aproximadamente cinco mil pessoas ocupavam o gramado em frente ao Congresso depois de cinco horas de protesto. A atitude de alguns dos integrantes da manifestação de jogar rojões e sinalizadores contra a barreira montada pela polícia serviu de justificativa para a ação definida por policiais como "dispersão".

As bombas foram atiradas em todas as direções atingindo todas as áreas ocupadas pelos manifestantes. Nas laterais também havia bombas e quem conseguia fugir do gás lacrimogêneo tentando subir aos acessos para o Itamaraty ou ministério da Justiça era recebido com spray de pimenta por policiais.

Com a dispersão encaminhada, os integrantes do protestos seguiram caminhando rumo a Rodoviária do Plano Piloto, que fica a cerca de dois quilômetros do Congresso Nacional. "Houve truculência demais, quando um meu amigo foi questionar , empurraram ele, prenderam e também perguntaram se eu queria ir para delegacia", contou Leonardo Zandonadi, servidor público de 25 anos. Segundo a PM, oito pessoas foram presas no final da manifestação. Outros dois tinham sido detidos na chegada ao protesto durante revista realizada por policiais. Um portava facas e cassetetes, o outro drogas. A secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que até às 21h50 dez pessoas tinham sido atendidas sem gravidade.

Os protestos em Brasília começaram ainda pela manhã, quando integrantes da ONG Rio de Paz espalharam pelo gramado em frente ao Congresso 594 bolas de futebol representando cada um dos parlamentares para significar que cabe ao Legislativo atender aos pedidos feitos nas ruas. Eles chutaram as bolas no final da tarde para simbolizar a responsabilidade do Congresso de dar respostas às reivindicações.

Os cartazes e gritos dos manifestantes novamente tiveram vários objetivos. A derrubada da PEC 37, que limitava o poder de investigação do Ministério Público, foi comemorada, mas houve cobrança de mais investimentos em saúde e educação, aprovação da proposta que torna aberto o voto em processos de cassação, da instalação de uma CPI para investigar os gastos da Copa do Mundo, além de pedidos para que Renan Calheiros (PMDB-AL) deixe a presidência do Senado e o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) o comando da comissão de Direitos Humanos na Câmara.

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