PP gaúcho declara apoio a Serra e abre espaço à união nacional

Uma das maiores forças políticas do Rio Grande do Sul, o PP, irá anunciar apoio local ao pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra. O passo é importante, pois aproxima as duas legendas de uma eventual coligação nacional.

NATUZA NERY, REUTERS

12 de maio de 2010 | 19h44

A decisão foi sacramentada nesta quarta-feira, após reunião entre os presidentes dos dois partidos, os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Francisco Dornelles (PP-RJ), e os presidentes regionais no Sul.

Dornelles é peça-chave na negociação federal. Ele é cortejado para assumir a vaga de vice ao lado de Serra, embora ainda não tenha recebido convite formal. A aliança estadual também deve ser formalizada em torno da candidatura à reeleição da tucana Yeda Crusius. No Estado, o PP ficaria com a vice; teria apoio a uma candidatura ao Senado e garantiria uma coligação proporcional na eleição de deputado federal. Ou seja, muitas vantagens.

A adesão dos pepistas na chapa federal agregaria cerca de um minuto e meio aos programas de TV da chapa oposicionista, um ganho tático para o tucano, hoje em desvantagem de tempo em relação à sua adversária do PT, Dilma Rousseff. Além disso, tiraria o partido do campo de apoio governista. Uma deserção que, se confirmada, representaria derrota a Dilma Rousseff.

A opção Dornelles traria outros dividendos mais subjetivos. Primo do ex-governador de Minas, Aécio Neves, o senador mineiro, embora eleito pelo Rio de Janeiro, garantiria para a campanha uma força adicional no segundo maior colégio eleitoral do país.

Francisco Dornelles tem dito a colegas nunca ter recebido convite para assumir posição alguma, mas as intenções do PSDB e do próprio Serra já estão para lá de manifestas. Em Belo Horizonte na semana passada, o pré-candidato elogiou o perfil híbrido do parlamentar por ter influência nos dois Estados.

O PP hoje declara-se neutro, mas só vai bater o martelo em junho.

"Esse é o esforço da direção nacional", disse à Reuters o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Seu Estado também pode fechar apoio local a Serra.

Esse viés, portanto, pode mudar daqui pra lá. Salta aos olhos de integrantes importantes da legenda um lugar protagonista num eventual próximo governo. Tudo dependerá, claro, do cenário que se imporá no mês que vem.

Se Serra continuar seu bom desempenho nas pesquisas --de 10 pontos percentuais de liderança no melhor cenário--, funcionará como imã natural.

"A perspectiva de poder atrai", disse um parlamentar do PP sob compromisso do anonimato.

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