Prefeito cassado de Sorocaba diz que vai recorrer da decisão

Defesa pretende questionar também o processo de votação na Câmara, que afastou um vereador contrário ao afastamento e manteve outro cujo gabinete preparou a denúncia

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2017 | 15h07




Sorocaba (SP) - O ex-prefeito de Sorocaba (SP), José Caldini Crespo (DEM), que teve o mandato cassado pela Câmara de Vereadores na noite de quinta-feira, 24, disse que vai recorrer à Justiça na tentativa de reaver o cargo. Em entrevista à imprensa neste sábado, 26, o político afirmou que o processo conduzido pela Câmara teve "arbitrariedades e ilegalidades".

O advogado Ricardo Porto, que prepara a defesa, deve entrar com medidas judiciais na segunda-feira, 26. A expectativa é de conseguir uma liminar para o retorno ao cargo durante a próxima semana.

Crespo foi acusado de prevaricação por ter deixado de demitir uma assessora que, segundo a denúncia, obteve diploma de curso superior sem ter concluído o ensino médio, além de quebra do decoro. Nos dois casos, as denúncias foram levadas a público pela então vice e ex-aliada, Jaqueline Coutinho (PTB) - com a cassação de Crespo, ela assumiu a prefeitura.

O advogado também deve questionar manobra da oposição que impediu que o vereador Anselmo Neto (PSDB) desse o voto decisivo favorável a Crespo na votação na Câmara. O presidente da Casa, Rodrigo Manga (DEM), acatou questão levantada pelo vereador Renan Santos (PCdoB) de que Anselmo havia sido secretário de Crespo e não teria isenção para votar.

Manga acatou o veto ao tucano e convocou seu suplente, João Paulo Miranda (PSDB), favorável à cassação, para declarar o voto. Já a questão suscitada quanto à falta de isenção de Santos, cujo gabinete preparou a peça de denúncia contra Crespo, foi rejeitada e ele também votou pela cassação, definindo o placar de 14 votos pela perda do mandado e 6 contrários.

A vice foi empossada no cargo de prefeita na mesma noite. Na sexta-feira, 26, os secretários municipais e ocupantes de cargos em comissão pediram demissão coletiva.

O advogado Ricardo Porto, que defende Crespo, foi responsável pela defesa do deputado federal Tiririca (PR-SP) na ação penal em que o parlamentar era acusado de fraudar um documento ao declarar que não era analfabeto.


 

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