Primeiros depoimentos revelam pânico após a morte de Isabella

Casal Nardoni, parentes e vizinhos contam detalhes dos momentos de desespero vividos no Edifício London

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2008 | 08h28

Os depoimentos do inquérito sobre o assassinato de Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, revelam os momentos de pânico no Edifício London pouco depois da queda da menina da janela do apartamento de seu pai, no 6º andar. Os textos obtidos pela reportagem mostram desde as primeiras reações de Alexandre Alves Nardoni, de 29 anos, e de Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24, até detalhes do relacionamento do casal contados pelos dois, mas também pelos parentes, vizinhos e funcionários do prédio.   VEJA OS DEPOIMENTOS ‘Não possuo inimigos nem sofri ameaças’, diz pai de Isabella ‘Tinha ciúmes da mãe de Isabella’, afirma madrasta da garota ‘Ouvi gritos dizendo papai, papai, papai ... pára... pára’, diz vizinho ‘Casal não desceu junto após queda da menina’, diz porteiro ‘Anna gritava palavrões no jardim do prédio’, diz síndico ‘Nos poucos contatos, fui bem tratado’, diz zelador do prédio Alexandre, por exemplo, contou que "era muito bom o relacionamento entre sua esposa Anna Carolina e Isabella". "Ambas se adoravam", disse o pai horas depois da morte, ao depor no 9º Distrito Policial. Por volta das 23h10 ou 23h20, ele entrou na garagem. Os três filhos estavam dormindo no carro quando ele subiu com Isabella, enquanto sua mulher aguardava no veículo para que pudesse auxiliá-la com as demais crianças. Segundo a polícia, entre o momento que o pai diz ter chegado no prédio e a queda da menina passaram-se 19 minutos. Alexandre afirmou que deixou Isabella e foi à garagem apanhar seus outros dois filhos e Anna Carolina. "Não observou nada de estranho". Quando voltou ao apartamento, a porta ainda estava trancada. De fato, a polícia constatou que não havia sinais de arrombamento no apartamento ou vestígios de que o prédio fora invadido. Ao chegar ao quarto da Isabella, que fica após o quarto dos meninos, Alexandre contou que "viu que esta não se encontrava na cama; que, então, com o filho no braço adentrou no quarto dos meninos, observando que havia pingos de sangue no chão e olhou direto para a janela que estava totalmente aberta, vendo que havia um corte na tela de proteção, formando um círculo". Ao olhar pela janela, ele viu que "sua filha encontrava-se caída lá embaixo." Alexandre disse que desceu até o jardim e tentou escutar o coração da filha. Afirmou que "entrou em desespero passando a gritar por socorro, pedindo que os moradores acionassem ambulância". A quebra do sigilo telefônico mostrou que, em nenhum momento, o casal tomou a iniciativa de chamar o resgate. Em vez disso, telefonou para seus pais, como o próprio Alexandre admitiu ao depor. Ao ser ouvida, Anna Carolina confessou que já teve muitos desentendimentos com mãe de Isabella no decorrer da relação com Alexandre, visto que no começo tinha ciúmes dela com seu marido, mas que os desentendimentos terminaram havia pouco tempo, quando seu filho Pietro passou a freqüentar a mesma escola que Isabella. Anna Carolina disse que seu relacionamento com a menina era "ótimo". Isabella era calma, boazinha e ela nunca precisou repreendê-la. Tanto o porteiro quando o síndico do prédio contaram que Alexandre apareceu no jardim minutos depois da queda, "gritando que haviam arrombado seu apartamento e cortado a tela e jogado a sua filha do 6º andar".

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