Protesto contra o Exército prossegue no Egito

Após uma semana de manifestações, egípcios se concentraram na sexta-feira na praça Tahrir, no Cairo, para se queixar da demora da junta militar em promover reformas.

EDMUND BLAIR, REUTERS

15 de julho de 2011 | 10h09

A Irmandade Muçulmana, grupo mais organizado do Egito, disse não estar participando dos protestos, e alegou que as autoridades precisam de tempo para reagir às exigências apresentadas inicialmente numa grande manifestação na semana passada.

Essa postura reflete em parte a cautela da Irmandade, clandestina durante o governo do deposto presidente Hosni Mubarak, em se indispor com o Exército, sob o qual o grupo islâmico goza de liberdades sem precedentes.

Mas analistas dizem também que a ausência da Irmandade nos protestos indica a distância do grupo em relação a uma nova geração de ativistas, que são menos organizados, mas estão mais dispostos a pressionarem o governo.

"A juventude rejeita a linguagem de ameaças usada pelo Conselho Supremo (das Forças Armadas), e rejeita que esse seja um caminho para o diálogo", disse Mohamed Adel, do Movimento Seis de Abril, que convocou uma multidão às ruas na sexta-feira.

Centenas de pessoas já estavam reunidas no Cairo e Alexandria para a oração do meio-dia de sexta-feira. O número de manifestantes tende a aumentar depois das orações, que marcam o início do fim de semana, e quando o calor é menos intenso.

Os ativistas, alguns dos quais acampados há uma semana na praça Tahrir, protegendo-se do sol sob a copa das árvores, não gostaram do tom de uma declaração feita nesta semana pelos militares, sugerindo que os protestos são uma ameaça à ordem pública.

Numa entrevista coletiva, generais defenderam os tribunais militares, dizendo que eles não estavam sendo usados para coibir opiniões, e sim para punir crimes graves. O Exército disse também que usaria todos os meios jurídicos para acabar com os protestos sem recorrer à violência.

Mas não há sinal de nenhuma medida para dissolver as manifestações no Cairo e em outras cidades.

O Exército disse também que mantém seu apoio ao primeiro-ministro Essam Sharaf, que prepara uma reforma ministerial. Outras concessões aos manifestantes incluem o afastamento de centenas oficiais da polícia, uma instituição vilipendiada por seu papel violento durante o regime de Mubarak.

"Purgar todas as instituições estatais, e particularmente o Judiciário" é uma das exigências listadas pelo Movimento Seis de Abril, que reivindica também que os tribunais militares não sejam usados contra civis.

Em meio aos manifestantes está Muhammed Fawzy, que iniciou uma greve de fome na praça Tahrir no dia 10, e só bebe água. Ele quer um diálogo com o Exército a respeito das suas exigências, tais quais a nomeação de uma comissão constituinte independente.

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