Provas do Saresp apresentam erro no cartão-resposta

Número de identificação do aluno estava incorreto; professores e estudantes[br]relatam falha nas cidades de Assis e Jaú

Débora Bergamasco, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

Provas do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar de São Paulo (Saresp) aplicadas anteontem apresentaram erros no cartão-resposta. Professores e alunos relataram problemas em Assis e Jaú. Oficialmente, a Secretaria da Educação confirma 18 casos em Assis, mas o Estado apurou com envolvidos no processo que o governo foi notificado de trocas em outras cidades.

Professores perceberam, na hora de aplicar o exame, que os números de identificação das provas não correspondiam às numerações de seus respectivos gabaritos. Foram aplicados 26 diferentes modelos de caderno. Não há estimativa de quantos cartões-resposta estavam errados.

A falha foi noticiada com exclusividade pelo blog Direto da Fonte, da jornalista Sonia Racy.

Orientados por diretorias de ensino, os aplicadores imprimiram nova folha de resposta - disponível no site da Vunesp - sem nome ou número, que foram preenchidos à mão.

O secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza, disse ao Estado que uma possível falha na inserção dos gabaritos "já estava prevista" no manual e também "a solução, o antídoto". "Caso detectasse uma falha, o coordenador deveria entrar no site, imprimir o gabarito correto, substituir a folha errada e corrigir o problema. Isso ocorreu e nenhum aluno foi prejudicado."

Segundo Paulo Renato, não houve falha técnica, mas de manuseio das provas, empacotadas na capital e enviadas às diretorias de ensino. "Não foi erro de impressão. Algumas provas foram trocadas na hora de serem empacotadas", afirmou. De acordo com ele, não há possibilidade de a prova ser reaplicada.

Apesar da admissão de "falhas" feita pelo secretário, a secretaria e a Vunesp, que aplicou a prova, afirmaram em nota que não houve erro de gabarito ou de folha de respostas. Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o problema pode prejudicar a política de bônus dos professores, que funciona a partir do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado (Idesp), calculado pelo Saresp. "Acho que a prova deveria ser reaplicada onde foram detectados problemas", afirmou a presidente, Maria Izabel Noronha.

A nota do Saresp é usada para avaliar o sistema, não o aluno. A partir dela, também é calculado o Idesp, que agora vale para calcular o bônus salarial de professores e funcionários. Cada escola tem o seu índice e uma meta. Quanto mais perto da meta a escola conseguir chegar, maior o bônus. Para o secretário, não haverá prejuízo porque o problema foi resolvido a tempo. "Isso não vai alterar o Idesp das escolas."

Licitação. Neste ano, o Estado contratou a fundação Vunesp para elaborar e aplicar o Saresp para 2,5 milhões de alunos sem abrir concorrência. O contrato fechado sob dispensa de licitação ficou em R$ 33,4 milhões, 21% superior ao valor de 2009. Fuvest, Vunesp, Cesgranrio e Fundação Carlos Chagas foram convidadas a apresentar propostas, mas apenas Vunesp e Carlos Chagas o fizeram.

Em 2009, o Saresp foi aplicado para um número semelhante de alunos pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caed), órgão ligado à Universidade Federal de Juiz de Fora. O Caed venceu a licitação com o valor de R$ 27,4 milhões, mas não conseguiu aplicar o exame na data determinada. Três dias antes, o centro alegou "problemas logísticos" e atrasou em uma semana a realização da prova. Para Paulo Renato, a mudança de modelo não tem nenhuma ligação com o erro nos gabaritos. / COLABORARAM LUCIANA ALVAREZ E MARIANA MANDELLI

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