Reconstrução de base na Antártida ocorrerá até 2018

Ministro da Defesa anuncia no Senado que o governo oferecerá um crédito extra de R$ 40 milhões neste ano para o programa antártico do País

LEONENCIO NOSSA , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Março 2012 | 03h06

O ministro da Defesa, Celso Amorim, informou ontem, durante uma audiência no Senado, que a reconstrução da base militar e científica do País na Antártida, destruída em um incêndio na madrugada do dia 25 de fevereiro, ocorrerá até 2018. Para isso, o governo oferecerá, ainda neste ano, um crédito extra de R$ 40 milhões.

Técnicos do governo avaliam modelos de base desenvolvidos pela Espanha e pela Coreia do Sul. "Estima-se que essas bases, não as monumentais, mas as razoáveis, custem em torno de R$ 100 milhões cada uma", disse Amorim.

Ele ressaltou que pesquisadores e militares poderão voltar aos seus trabalhos na Antártida utilizando módulos provisórios, que serão instalados na área da antiga Estação Antártica Comandante Ferraz.

A reconstrução definitiva, no entanto, levará mais tempo para começar. "Se tudo ocorrer muito bem, (a reconstrução) poderá começar no verão de 2014", disse o ministro. "A experiência indica que esse projeto de construção levará de três ou quatro anos, caso os recursos venham de maneira contínua."

Indenizações. Durante o encontro com senadores das comissões de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores e Defesa Nacional, Amorim, o comandante da Marinha, Julio Soares de Moura Neto, e o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Jefferson Simões afirmaram que o incêndio na base começou na casa de máquinas, atingindo o gerador que atendia a base. As reservas de combustíveis não teriam sido atingidas.

Amorim disse que as famílias dos dois membros da Marinha que morreram no desastre - o sargento Roberto Lopes dos Santos e o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo - deverão receber indenização nos moldes dos benefícios concedidos aos parentes dos militares que morreram no terremoto no Haiti, em 2010. Um projeto aprovado pelo Congresso concedeu R$ 500 mil para cada família dos 17 militares mortos naquele evento, além de um benefício mensal de R$ 510 para custear a educação dos dependentes.

"Os dois militares que estavam na Antártida morreram de forma heroica", afirmou o ministro da Defesa. "Tentaram debelar o incêndio. Havia tempo para se afastarem."

Peso dos cortes. O pesquisador Jefferson Simões considerou "absurdas" análises que associaram o incidente na base da Marinha a supostos cortes orçamentários. Ele afirmou que as condições climáticas e o modelo da base dificultam o controle do fogo no ambiente antártico.

Simões também afirmou que há cinco anos o programa antártico brasileiro recebeu cerca de R$ 40 milhões. O problema, na avaliação do pesquisador da UFRGS, é que os recursos não são aplicados de forma contínua, o que prejudica os trabalhos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.