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Resíduos da agricultura para cultivar cogumelos

Uso de palhas de feijão, de trigo e de arroz, capim e bagaço de cana está sendo estudado na Unesp

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2009 | 03h38

O aproveitamento de resíduos agroindustriais tem se mostrado alternativa interessante para o cultivo de cogumelos, do ponto de vista nutricional, econômico e ambiental. Alguns resíduos são ricos em macro e micronutrientes, reduzem o custo de produção e, aproveitados, evitam a queima e o descarte de matéria orgânica pura no ambiente.

"Com base em pesquisas das características nutricionais de resíduos podemos transformá-los em algo produtivo", diz o engenheiro agrônomo Diego Cunha Zied, doutorando da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp/Botucatu (SP). No Módulo de Cogumelos da faculdade, ele pesquisa a relação entre os resíduos disponíveis, o tipo de compostagem mais adequado e as espécies de cogumelos que se quer produzir. "A compostagem torna o resíduo adequado para suprir as exigências nutricionais do fungo."

As opções de resíduos com potencial para compor o substrato onde o fungo é cultivado são muitas. Palhas de trigo, feijão e arroz, bagaço de cana-de-açúcar, serragem, esterco e braquiária são alguns exemplos. "Por ser a espécie mais produzida, estamos trabalhando com o champignon (Agaricus bisporus) cultivado em palha de feijão, mas a ideia é pesquisar conforme a demanda." Ele explica que a palha de feijão, além de ser facilmente encontrada, é rica em nitrogênio, o que reduz a quantidade de nitrogênio adicionada na compostagem.

O módulo também pesquisa o cultivo dos cogumelos shiitake (Lentinula edodes) e shimeji (Pleorotus sp) em serragem e em combinações de serragem com bagaço de cana e palhas. A opção da serragem diminui a dependência dos produtores de madeira, já que o shiitake é cultivado originalmente em toras de madeira. "Em toras, o shiitake demora seis meses para começar a produzir. Nos blocos de serragem, esse tempo cai pela metade."

Para não elevar o custo de produção, Zied diz que é preciso verificar a disponibilidade do resíduo na região, durante todo o ano. "Quem produz esse tipo de resíduo também pode vendê-lo e ter nova fonte de renda."

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