Santos 7 x 6 Palmeiras, em 1958: um jogo para a história

Pelé ainda era um garoto e talvez nem imaginava que um dia seria chamado de Rei. Tinha ao seu lado algumas das lendas do futebol, como Pepe e Pagão. Os mais de 43 mil pagantes que foram ao Pacaembu naquela chuvosa noite de 6 de março de 1958 não viram apenas estes três craques balançarem as redes. Com a camisa verde, um dos poucos times que faziam frente ao perigoso Santos, uma máquina que começava a ganhar força e fama a cada ano que se passava. Os torcedores paulistas não se incomodaram com a água que caiu do céu e assistiram a um dos históricos jogos que fazem parte da enciclopédia do futebol brasileiro. No placar, 13 gols: sete para o Santos, seis para o Palmeiras.

, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2009 | 00h00

A partida não valia taça nem classificação. O Vasco foi quem se sagrou campeão do Rio-São Paulo daquele ano. Os times, porém, deram espetáculo. O Palmeiras chegou a estar perdendo por 5 a 2 e virou. Pepe não deixou o adversário fazer a festa e fez mais dois para o Santos.

O Palmeiras daquela partida não era uma máquina e estava se desmanchando. Mazzolla, por exemplo, fez sua última temporada no clube antes de ir para a Itália. No ano seguinte, já com várias mudanças, o Alviverde levantou o caneco estadual - o último título havia sido em 1950. O Santos, ao contrário, começava a montar um time que entrou para a história. Meses depois do jogo histórico, foi campeão paulista - Pelé fez nada mais nada menos que 58 gols.

A década de 60 foi dominada pelo Alvinegro praiano. A equipe seria decacampeã paulista não fosse o Palmeiras no seu caminho, vencedor em 1963 e 1966. Os tempos de hoje nada lembram outrora. Mais de 10 gols num jogo? Impossível. Os dois times numa fase tão boa? Há muito não se vê.

"Foi o maior clássico entre Santos e Palmeiras. Terminou 7 a 6 para o Santos e eu fiz três gols", recordou Pepe, o segundo maior artilheiro do Santos de todos os tempos, com 405 gols, em 16 anos de clube, 750 jogos. "O técnico do Palmeiras era Oswaldo Brandão, que resolveu colocar o Valdemar Carabina, um zagueiro alto e forte, na direita para me marcar. Fiz um salseiro pela esquerda", recordou.

Urias abriu o marcador para o Palmeiras e em seguida Pelé empatou. Depois houve uma chuva de gols no Pacaembu: Pagão fez 2 a 1, Nardo igualou e na sequencia Dorval, Pepe e Pagão deixaram o Santos com a confortável vantagem de 5 a 2. Mas no segundo tempo, após Brandão exigir que seus jogadores tivessem vergonha na cara, o Palmeiras conseguiu a virada inimaginável para 6 a 5. Porém, era noite de Pepe. E foi ele quem se encarregou de marcar os dois últimos gols da partida.

"O Santos ainda não era o time que o mundo inteiro iria aplaudir, mas o Palmeiras respeitava a gente. O jogo foi no meio do Rio-São Paulo e não decidiu nada, mas é inesquecível por todo o que aconteceu", contou um dos maiores ídolos que o Santos já teve. "O curioso é que depois daquela partida tão emocionante perdemos as seis seguintes."

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