SUMMIT-Eleita, Dilma seria candidata à reeleição, diz Dutra

Se eleita ao comando do país nas eleições de outubro, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, seria o nome "natural" à reeleição em 2014, disse nesta terça-feira o presidente do partido, José Eduardo Dutra.

FERNANDO EXMAN E NATUZA NERY, REUTERS

04 de maio de 2010 | 19h59

Isso significa que a hipótese de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar a disputar a Presidência daqui a quatro anos só ocorreria em caso de derrota da candidatura governista.

"Se Dilma for eleita, ela é candidata natural à reeleição. O mandato é de oito anos com um recall no meio", disse Dutra em entrevista ao Reuters Latin American Investment Summit.

O dirigente petista afirmou ter certeza de que o presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), ocupará a vaga de vice na chapa de Dilma. A ex-ministra da Casa Civil e o peemedebista jantarão nesta terça, o primeiro encontro dos dois a sós desde que o PT e o PMDB fecharam um pré-acordo para as eleições de outubro.

"Eu não tenho dúvida", respondeu Dutra quando perguntado se Temer será o vice de Dilma.

Ele disse ainda que espera fechar na quarta-feira uma aliança com o PSB, uma vez que a candidatura do deputado Ciro Gomes foi retirada na semana passada. Por outro lado, o dirigente petista reconheceu dificuldades nas negociações com outros partidos que atualmente integram a base de sustentação do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, como PP, PTB e PSC.

O PT já conta com o apoio de PMDB, PCdoB e PDT, enquanto o pré-candidato a presidente do PSDB, José Serra, fechou aliança com DEM e PPS.

Sobre o PP, que é cortejado pelos tucanos para indicar o vice de Serra e agregar cerca de um minuto e meio ao tempo de TV da campanha adversária, Dutra apostou que a sigla aliada ou fechará com Dilma ou clamará neutralidade.

REFORMAS

Para ele, a reforma política deve ser a prioridade do primeiro ano de um eventual governo Dilma.

"Se eu pudesse analisar um pecado do governo Lula foi não ter tido o empenho necessário na reforma política, embora tenha também mandado um projeto (ao Congresso)", admitiu.

"Ela é a mais urgente porque pode ser a base, inclusive, para a facilitar a aprovação das outras."

Dutra também defendeu a aprovação de uma reforma tributária, mas ponderou que esse processo deve ser iniciado por uma simplificação do sistema e o fim da cobrança de diferentes alíquotas de ICMS pelos Estados.

"Com certeza uma reforma tributária vai ter que ser feita", sublinhou, ponderando que esse "é um tema que sabemos a sua dificuldade para a sua aprovação no Congresso Nacional".

O dirigente do PT descartou a possibilidade de o presidente tirar uma licença para se dedicar integralmente à campanha da ex-ministra da Casa Civil, mas assegurou que Lula reforçará os palanques de Dilma nas horas vagas.

"Essa hipótese (licença) não existe, nunca foi discutida pelo presidente Lula. Isso não vai acontecer", assegurou.

Segundo Dutra, levantamento feito pelo partido estima que a campanha de Dilma deve custar 200 milhões de reais. "Acho um número razoável."

(Reportagem adicional de Raymond Colitt, em Brasília, e Carmen Munari, em São Paulo)

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