Syngenta é alvo de protestos no Ceará e em São Paulo

Manifestações fazem parte do Dia Internacional dos Direitos Humanos e da campanha 'Syngenta Fora do Brasil'

CARMEN POMPEU, Agencia Estado

10 de dezembro de 2007 | 14h10

Em Aracati, no litoral leste cearense, a 154 quilômetros de Fortaleza, agricultores da Via Campesina promoveram um ato de protesto na empresa anglo-suíça de agribusiness Syngenta Seeds, instalada na localidade de Cajazeiras. Em São Paulo, ao  menos 400 trabalhadores rurais da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam nesta segunda-feira, 10,  a unidade de produção de agrotóxicos da Syngenta.     A Syngenta é uma das líderes mundiais na área de agribusiness. A unidade de Aracati funciona como uma estação de pesquisa de sementes de melão, melancia e abóboras, que consumiu US$ 1,1 milhão em investimentos, segundo informa o site da própria empresa.     O protesto marcou o Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado nesta segunda, e faz parte da campanha "Syngenta Fora do Brasil", lançada com o assassinato de Valmir Mota de Oliveira, o Keno, durante a ocupação de uma outra unidade da empresa, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná, no dia 21 de outubro deste ano.       "A ocupação em Paulínia não teve reação violenta. Estamos fazendo hoje um movimento nacional em protesto contra a morte do Keno", disse Cláudia Praxedes, uma das coordenadoras estaduais do MST, em Paulínia. A Syngenta informou, por meio de nota divulgada pela assessoria, que não teve participação no incidente de 21 de outubro, após a invasão da propriedade por membros da Via Campesina e do MST. A empresa registrou Boletim de Ocorrência em Cascavel quatro horas antes do incidente e a empresa de vigilância contratada pela Syngenta teria sido orientada, segundo informa o comunicado, a deixar a propriedade. O contrato entre a empresa suíça e a de segurança trazia previsão de vigilância não-armada. A Syngenta informou ainda que, no momento do conflito no Paraná, não havia funcionários da empresa no local.     No Ceará, quinhentas pessoas vindas de acampamentos das regiões do Baixo e Médio Jaguaribe ocuparam por toda a manhã de hoje a unidade da empresa, segundo informou João Paulo Pereira, da coordenação estadual da Via Campesina. De acordo com ele, o acesso de funcionários foi suspenso, cercas foram derrubadas e algumas estufas quebradas. Ainda segundo Pereira, não houve reação por parte da direção local da Syngenta, e o prédio foi desocupado no final da manhã."Durante o ato em Aracati, algumas pessoas ficaram revoltadas ao lembrar da morte do companheiro lá no Paraná. Não deu para segurar os ânimos", comentou Pereira. Segundo ele, já depois do protesto, policiais chegaram a revistar os ônibus onde estavam os manifestantes. "Mas como não encontraram nada, nos deixaram seguir", informou.

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