Universidades estaduais paulistas querem mais verba para instituir cotas

As universidades estaduais de São Paulo - USP, Unesp e Unicamp - querem que o governo do Estado defina uma verba específica para financiar o programa de cotas dessas instituições. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai anunciar amanhã a proposta final que será levada para os respectivos conselhos universitários. Na Universidade de São Paulo (USP), a maior do País, o projeto será encaminhado para todas as faculdades antes da apreciação do colegiado.

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2012 | 02h02

De acordo com o reitor da USP, João Grandino Rodas, o único detalhe que falta para a definição da política de cotas é o orçamento. "Precisa de dinheiro, não é só trazer os alunos. Essa proposta (dos reitores) busca fazer com que todos possam ser acolhidos na universidade e tenham plena condição de seguir o curso", disse Rodas. "Será um novo sistema de ingresso."

A verba seria necessária para financiar a permanência estudantil, por meio de bolsas de auxílio moradia e alimentação, por exemplo, além da estruturação do curso de reforço para alunos de escolas públicas (mais informações nesta página).

O projeto prevê que, até 2016, metade das vagas da universidade seja preenchida por alunos de escolas públicas, como revelou o Estado em novembro. A proposta foi discutida pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que começou a debater o tema em outubro, quando o governador pediu a sua formulação após o governo federal regulamentar a Lei de Cotas para as federais. Historicamente, as universidades estaduais são contrárias à proposta de cotas.

As linhas finais do pacote têm sido mantidas em segredo. Ainda há uma série de indefinições em relação ao financiamento e ao modelo de reforço de aula para cotistas. Para o desenho da proposta, não foi realizado uma simulação específica de pontuação de vestibular e demais impactos. Mas, segundo Rodas, as universidades entregaram ao governo números da realidade das universidades para que o Executivo possa chegar a um valor que financie o projeto.

Neste ano, a USP gastou R$ 11 milhões com assistência estudantil. Considerando só o apoio repassado aos estudantes com base em critérios socioeconômicos, foram R$ 43 milhões.

No último vestibular da USP, 28% dos matriculados vinham de escolas da rede pública. Essa proporção, no entanto, não aparece nos cursos mais concorridos, como Medicina, Engenharia e Direito - índices que a proposta de cotas quer mudar.

Na USP, as unidades da universidade terão oportunidade de sugerir mudanças, como revelou o reitor. Só depois é que a proposta seguirá para o Conselho Universitário, instância máxima da instituição. O plano é que o novo sistema entre em vigor em 2013.

O anúncio de amanhã deve ser feito de forma que pareça que foram os reitores quem, voluntariamente, decidiram pelas cotas. A preocupação é em conservar a autonomia universitária, tema caro à comunidade acadêmica.

Para um professor da USP, que preferiu não se identificar, a proposta é "péssima". "Perdemos a autonomia de decidir sobre nosso projeto (de inclusão). Vão entrar alunos mais fracos e essa proporção de cotas (50%)é inviável", diz. O Conselho Universitário sempre foi contrário a esse tipo de política, mas pelo menos três membros disseram acreditar que o projeto deverá ser aprovado. / COLABORARAM CARLOS LORDELO, DAVI LIRA E OCIMARA BALMANT

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