Uribe 'renova fôlego' com resgate de Betancourt, diz analista

Ruben Sánchez diz que a popularidade do presidente deve 'aumentar ainda mais'.

Márcia Carmo, BBC

03 Julho 2008 | 05h18

A libertação da ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, na quarta-feira, pode representar um "novo fôlego político" para o presidente colombiano Álvaro Uribe, em meio aos questionamentos sobre o processo que levaram à sua reeleição, em 2006, afirma um especialista ouvido pela BBC Brasil. De acordo com o professor colombiano de Ciências Políticas Ruben Sánchez, professor do mestrado de paz, segurança e conflitos da Universidade de Rosário, de Bogotá, o resgate pode ter um impacto positivo na popularidade de Uribe. "Uribe ganhou oxigênio, novo fôlego político com essas libertações. Sua popularidade já era alta e agora então, parece que será mais ainda", disse. Nos últimos dias, uma polêmica envolvendo a reeleição do presidente ganhou destaque no país.Uribe só pode ser reeleito depois que o Congresso aprovou uma reforma constitucional permitindo que o presidente concorresse a um segundo mandato. Depois de acusações de que deputados teriam sido subornados para votar a favor da reforma, a Suprema Corte de Justiça, em uma decisão sem precedentes, chegou a pedir à Corte Constitucional que investigasse a legalidade do ato legislativo de 2004 que permitiu a reeleição para presidente.Na quarta-feira, pouco antes do anúncio das libertações dos reféns das FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), a Corte Constitucional declarou que não vai rever a reforma constitucional, por considerar que o assunto "já foi julgado". UribePara Sánchez, as primeiras declarações de Betancourt, logo depois de liberada, "chamaram atenção". Ele conta que ficou surpreso, em especial, com os elogios da ex-candidata presidencial ao presidente Álvaro Uribe. "Chamou atenção a posição de Ingrid a favor da reeleição de Uribe e de sua estratégia contra as Farc", disse. "Essa postura contradiz a da mãe de Betancourt (a ex-congressista Yolanda Pulecio), que defendia uma troca humanitária (entre reféns e rebeldes presos)". Segundo ele, o discurso de Ingrid ajudam a continuação das ações do presidente. "As palavras de Ingrid não a tornam uribista (seguidora de Uribe), mas certamente ajudam Uribe para que ele mantenha a mão dura contra as Farc, enquanto muitos setores defendem uma negociação de paz", afirmou Sanchez. Betancourt elogiou a ação do Exército colombiano e os presidentes Uribe e Nicolas Sarkozy, da França. "A reeleição do presidente Uribe foi muito importante para a Colômbia. (...) E por tudo que ele está fazendo para combater a guerrilha", disse a ex-refém. Betancourt e Uribe fizeram campanha, como opositores, em 2002, quando ela foi seqüestrada com sua companheira de chapa, Clara Rojas, libertada no início do ano. A mãe de Betancourt também agradeceu os esforços do governo colombiano. "Agradeço primeiro a Deus. E depois ao presidente Uribe, apesar das diferenças que todos sabem que tenho com ele", disse ela, ao lado da filha. Para o analista, a libertação dos 15 reféns - que faziam parte da lista que os rebeldes pretendiam trocar por guerrilheiros presos - confirma que as Farc vivem um "momento difícil"."As Farc estão demonstrando dificuldades e uma de suas debilidades visíveis é a quebra na comunicação no secretariado do grupo (onde militares da inteligência colombiana teriam se infiltrado)", afirmou o especialista. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.