VALE faz acordo com 7 sindicatos para licença com salário menor

A Vale informou nesta quinta-feira que já fechou acordo com sete sindicatos dispostos a aceitar uma proposta de os trabalhadores tirarem uma licença remunerada, com o pagamento de apenas metade do salário, até o dia 31 de maio. Ao todo 24 sindicatos reúnem os empregados da companhia espalhados pelo país. A empresa afirmou que ainda não tem um número definido de empregados que entrariam em licença, mas disse que os sindicatos que já aderiram representam 17 mil pessoas do seu quadro de 62 mil empregados no mundo inteiro. "Isto vai depender ainda de análises", informou a assessoria da Vale sobre as possíveis licenças. Em Minas Gerais, Estado mais afetado pelas férias coletivas da companhia --80% das 5 mil pessoas colocadas em férias coletivas-- pelo menos dois sindicatos estão irredutíveis --Congonhas e Itabira-- e vão convocar manifestações contra o acordo na semana que vem. "Não vamos assinar, vamos chamar a assembléia para explicar o que está acontecendo", disse à Reuters o diretor do Metabase de Congonhas, José Antonio Pinto Freitas. O sindicatos acusam a Vale de ameaçar demitir quem não assinar o acordo. "O acordo não garante estabilidade na volta e se não quiser aceitar a empresa demite", disse o assessor político do sindicato de Itabira, Efraim Moura. Ele enviou à Reuters cópia do acordo no qual a empresa afirma que "o empregado que não tiver interesse em gozar ou permanecer em licença remunerada, nos termos deste acordo, poderá solicitar à empresa que promova a sua demissão, na modalidade sem justa causa", diz o documento. A Vale esclareceu que essa cláusula foi elaborada para resguardar os empregados que não quiserem aderir à proposta mesmo que o sindicato assine o acordo. "Está sempre resguardado ao empregado o direito inalienável de pedir para ser mandado embora", informou a empresa. PROPOSTA Com o objetivo de manter o nível de empregos da companhia, depois de já ter demitido 1.300 pessoas no início de dezembro, a empresa ofereceu na semana passada a todos os seus empregados no Brasil licença remunerada com metade do salário, com um piso mínimo garantido de 856 reais, e mantendo benefícios. Segundo a Vale, "a proposta foi apresentada a sete sindicatos de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, dos quais cinco já aceitaram e assinaram com a Vale. Além destes, outros dois sindicatos do Pará voluntariamente pediram para assinar o acordo", informou em nota nesta quinta-feira. De acordo com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, banco que controla a Bradespar, uma das principais acionistas da Vale, o momento agora é de negociação. "Tem que tentar contemporizar e amenizar, para manter um clima melhor na empresa", disse a jornalistas em evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro nesta quinta-feira. "Ela (a Vale) tem que trabalhar com cuidado e não se precipitar, tanto que ela tem feito agora acordos no sentido de reduzir jornada e salário, que é uma coisa que protege o trabalhador e protege a empresa", afirmou. (Por Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira)

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