Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Variedades de mesa cedem espaço para syrah e até merlot

Região produtora de uvas de verão e para consumo in natura descobre os segredos do parreiral para vinho

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2009 | 03h21

Em Louveira, cidade vizinha à Indaiatuba, o plantio de uva syrah também começa a ganhar espaço - ainda que pequeno - em meio aos tradicionais parreirais de niagara. No sítio da família do viticultor Daniel Miqueletto, a experiência com o plantio de variedades viníferas começou em 2006. "Sempre plantamos uva de mesa, principalmente a niagara. Em 2002 começamos a produzir vinho, com uva produzida no Sul. Daí decidimos plantar a uva aqui, mas adotando o manejo para colheita no inverno", diz o produtor.

Além da syrah, Miqueletto conta que produz a vinífera sauvignon blanc e o híbrido máximo. Dos 4 hectares plantados, por enquanto apenas meio hectare é reservado para as variedades viníferas. Mas o produtor pretende ampliar a área. "Como somos pequenos produtores, não podemos arriscar tudo. Estamos substituindo gradativamente", diz.

O produtor começou até a construir uma adega no próprio sítio, onde pretende produzir seu vinho fino. "A ideia é investir no turismo rural, abrir a propriedade para visitas e vender o vinho aqui mesmo. Não quero acabar com a niagara, porque é tradição. Mas daqui alguns anos a maioria do parreiral será de uva vinífera fina. Temos de agregar valor para continuar na atividade."

 

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Vizinho de Miqueletto, o fruticultor Antônio José Benvegnu também é um tradicional produtor de uva de mesa que vem investindo no cultivo de variedades viníferas, como a syrah, cabernet sauvignon e, mais recentemente, da merlot. Hoje, o produtor cultiva 1.500 pés de uva vinífera, em torno de meio hectare. "É difícil de produzir estas uvas, o custo de produção é mais caro. Mas estamos tentando", diz Benvegnu.

Para agregar valor à produção de viníferas finas, o produtor fez uma parceria com um vinicultor e vai produzir vinho fino. "Pretendemos produzir o vinho sem chaptalização e com 13 de teor alcoólico", calcula Benvegnu. Para isso, o manejo para colheita no inverno é fundamental. "Esta uva deve chegar a 22 graus brix. Jamais conseguiria chegar a esse nível com uma uva colhida no verão."

Apesar dos benefícios na qualidade da fruta, a colheita no inverno tem um contratempo: a maior incidência de aves que atacam os parreirais. "Como os pássaros não têm oferta suficiente de alimentação nas matas, vão procurar nas lavouras", destaca Miqueletto. Para resolver o problema, o produtor precisou investir um pouco mais e instalou telas. "Compensa, porque as telas também são antigranizo, outro fator que pode prejudicar a lavoura no inverno."

CURSO

Para incentivar os vitivinicultores paulistas, a Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), da Unicamp, desenvolveu um curso de tecnologia em vitivinicultura, focado na vinificação de variedades finas. A próxima turma será de 6 a 10 deste mês. N.S.

INFROMAÇÕES - Feagri, tel.: (--19) 3521-1088

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