Vídeo com atos racistas causa revolta na África do Sul

Estudantes brancos teriam forçado negros a comerem carne com urina; incidente gera revolta

Da BBC Brasil, BBC

28 Fevereiro 2008 | 07h55

A divulgação de um vídeo mostrando estudantes sul-africanos brancos forçando trabalhadores negros a ingerirem carne misturada com urina está provocando uma revolta na África do Sul. Nas imagens, os estudantes da Universidade Free State, em Bloemfontein, no leste do país, ainda apareceriam forçando os quatro negros, que seriam empregados do campus, a beber cerveja e fazer exercícios físicos. O correspondente da BBC Mpho Lakaje, que assistiu ao vídeo, disse que a última seqüência é a que mais causou indignação. As cenas mostram um dos estudantes urinando num pote de comida e gritando, em seguida: "Comam! Comam!" O que se vê depois são os negros comendo e vomitando. Protestos O reitor da universidade, Frederik Fouriem, disse à BBC que estava "extremamente chateado com o incidente" e condenou o vídeo. Fouriem disse que a universidade já suspendeu os alunos envolvidos e que as supostas vítimas estavam recebendo apoio psicológico. Na quarta-feira, centenas de estudantes negros e funcionários da universidade fizeram protestos contra o incidente e entregaram uma lista de exigências à direção, pedindo ações contra os estudantes. O vídeo teria sido gravado em protesto contra a tentativa de integrar estudantes brancos e negros na mesma residência universitária em Free State. O correspondente da BBC diz que a universidade é conhecida por ter grande presença de estudantes brancos desde a época do apartheid. Nos últimos anos, o estabelecimento vem encontrando dificuldades em tentar integrar estudantes de diferentes grupos raciais e o último incidente é visto por muitos como uma "clara indicação de intolerância racial". Siviwe Vamva, do Congresso Estudantil Sul-Africano, disse que o grupo está planejando uma greve nacional no dia 6 de março para protestar contra o racismo em todo o país. Ele ainda disse que "o racismo é um problema em várias universidades" do país. "Essas questões têm de vir à tona para que todos os sul-africanos saibam que o racismo ainda é dominante na nossa sociedade", disse o líder estudantil. O Instituto Sul-africano de Relações entre as Raças disse que o último incidente e outros que ocorreram no mês passado poderiam ameaçar as tentativas de melhorar o convívio entre as raças desde o fim do apartheid. O instituto ainda criticou a decisão do Fórum de Jornalistas negros, que não permitiu que um jornalista branco participasse de uma de suas reuniões.   Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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