Vídeo mostra político 'assassinado' sendo atacado na Ucrânia

O vereador ucraniano cuja aparente tortura e assassinato contribuíram para o governo ameaçar lançar uma nova ofensiva no leste do país foi assediado por uma multidão hostil pró-Rússia antes de desaparecer, mostraram imagens de um vídeo.

Reuters

23 Abril 2014 | 19h08

O aparente assassinato de Volodymyr Rybak e de outro homem levou a União Europeia a pedir à Rússia que use sua influência para impedir sequestros e matanças na região predominantemente de língua russa no leste da Ucrânia, palco de rebeliões separatistas contra líderes do governo central, de Kiev.

O serviço de segurança da Ucrânia disse que um policial desonesto e um membro da inteligência militar da Rússia estão envolvidos no assassinato de Rybak.

As imagens feitas em 17 de abril por um site local de notícias mostram cenas de fúria diante da prefeitura de Horlivka --situada entre as cidades de Donetsk e Slaviansk, onde há forte exaltação separatista--, nas quais Rybak é maltratado por vários homens, entre eles um mascarado em roupa camuflada, enquanto outros proferem insultos.

Rybak tentou remover a bandeira da separatista República de Donetsk, disse o site. "Você vai tirar essa bandeira só passando por cima do meu cadáver", grita para Rybak um homem em trajes civis enquanto o político tenta chegar à entrada da Câmara Municipal.

Dois policiais uniformizados são vistos no vídeo, mas apenas um deles parece intervir, sem sucesso. Após vários minutos, Rybak aparece em condições de ir embora. O Ministério do Interior da Ucrânia disse que ele foi visto mais tarde, no mesmo dia, sendo jogado em um carro por homens mascarados em roupas camufladas. Seu corpo foi encontrado no sábado perto de Slaviansk.

Ele e outro homem não identificado parecem ter sido torturados e jogados vivos em um rio para se afogarem, concluiu a polícia.

O presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchinov, que, como Rybak, é membro do partido Batkivshchyna, liderado pela ex-premiê Yulia Tymoshenko, citou o assassinato como base para o relançamento de uma operação, até agora limitada, contra militantes que tomaram conta de cerca de uma dezena de cidades e edifícios públicos no leste do país, onde o russo é o idioma predominante.

"Os terroristas que efetivamente fizeram toda a região de Donetsk refém cruzaram os limites, começando a torturar e assassinar patriotas ucranianos", disse Turchinov na terça-feira à noite.

As autoridades de Kiev reconheceram nesta quarta-feira que a operação limitada "antiterrorista" ainda não tinha sido retomada. Mas o primeiro vice-primeiro-ministro, Vitaly Yarema, declarou: "Em um futuro próximo, serão adotadas as medidas adequadas e vocês verão os resultados".

Em Bruxelas, um porta-voz da chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, pressionou para que todos os partidos que participaram das negociações de quatro partes em Genebra na semana passada implementem um acordo que prevê medidas para desmilitarizar a região e desocupar os edifícios tomados por manifestantes.

"Nós pedimos... em especial à Rússia que utilize a sua influência para assegurar o fim imediato de sequestros e assassinatos no leste da Ucrânia", disse o porta-voz.

Em Slaviansk, perto de onde o corpo de Rybak foi encontrado, o autodeclarado prefeito separatista da cidade, Vyacheslav Ponomaryov, culpou o grupo nacionalista ucraniano Setor Direita pelo assassinato.

"Isso tudo está sendo feito pelo Setor Direita. Eles estão constantemente tentando nos desacreditar", disse Ponomaryov. "Fui ao necrotério ver os dois corpos. Eles tinham sinais de tortura no corpo e mãos."

O Serviço de Segurança do Estado da Ucrânia (SBU) emitiu um comunicado acusando um oficial que deixou o órgão e um oficial de inteligência militar da Rússia (GRU) de envolvimento no assassinato de Rybak.

Sem dar detalhes, o SBU afirmou que o tenente-coronel Igor Bezler, da GRU, ordenou que a milícia pró-russa em Horlivka "neutralizasse" o vereador.

(Reportagem de Alastair Macdonald e Sergei Karazy, em Kiev; e de Aleksandar Vasovic, em Slaviansk)

Mais conteúdo sobre:
UCRANIA VIDEO MORTE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.