Zelaya aposta últimas fichas com retorno a Honduras

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, prometeu iniciar o regresso a seu país nesta quinta-feira, em uma nova tentativa de recuperar o poder depois do fracasso das negociações para solucionar a crise política decorrente do golpe de Estado que o expulsou do país.

MARCO AQUINO Y ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

23 Julho 2009 | 12h48

Zelaya considerou encerradas na quarta-feira as negociações para resolver a pior crise política das últimas duas décadas e decidiu jogar uma última cartada. O conflito tem como mediador o presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

"Amanhã (quinta-feira) irei para três municípios na fronteira com Honduras", disse na quarta-feira à noite em Manágua à rede de tevê Telesur, sem revelar quando, nem por onde atravessaria a fronteira.

O governo de facto instalado em Tegucigalpa após o golpe do de 28 de junho informou que Zelaya será aguardado com um mandado de prisão sob acusação de ter violado a Constituição ao tentar abrir caminho para a reeleição.

"Não posso prever o que vai acontecer", disse Zelaya em entrevista telefônica à Reuters de Manágua.

Zelaya, um liberal cuja aliança com o líder de esquerda venezuelano, Hugo Chávez, deixou muitos irritados, convocou os hondurenhos a irem para a fronteira com a Nicarágua.

Muitos temem que seu regresso desencadeie violência. Sua tentativa anterior em 5 de julho, quando tentou aterrissar em Tegucigalpa a bordo de um avião venezuelano, terminou em tragédia. Um jovem morreu ao ser atingido por disparos de militares que faziam a segurança do local.

As forças de segurança aliadas ao governo interino do presidente Roberto Micheletti reforçaram a vigilância na fronteira leste com a Nicarágua depois do anúncio da volta de Zelaya.

GREVE GERAL

O líder campesino Rafael Alegría, principal liderança da Frente Nacional contra o Golpe de Estado, disse à Reuters que a mobilização à fronteira seria na sexta-feira e que o presidente não entraria em solo Hondurenho até sábado.

Enquanto isso, sindicatos e militantes de esquerda preparam nesta quinta-feira o terreno bloqueando o acesso norte à cidade de Tegucigalpa, uma estrada que liga a capital com a cidade industrial de San Pedro Sula e os portos do Caribe. "Vão aumentar os protestos em nível nacional", disse Juan Barahona, outro dos líderes da frente.

A capacidade de mobilização de seus partidários caiu nas três últimas semanas desde o golpe.

Uma manifestação realizada na quarta-feira reuniu apenas cerca de 500 pessoas, enquanto o governo interino mobilizou milhares de pessoas no centro de Tegucigalpa.

Mesmo assim, os manifestantes dizem que vão mobilizar milhares de pessoas na fronteira para receber a Zelaya.

As autoridades do governo interino ainda não rejeitaram formalmente a proposta do mediador Arias, de reconduzir Zelaya ao poder até que se encerre seu mandato em janeiro.

Alegaram que na quinta-feira colocariam o plano sob avaliação dos diferentes poderes do Estado. Entretanto, uma proposta similar foi rejeitada no domingo pelo governo interino, o que fez com que Zelaya considerasse encerradas as negociações sem esperar uma resposta formal da outra parte.

(Reportagem adicional de Simon Gardner, Gustavo Palencia e Sean Mattson em Tegucigalpa, Juana Casas em San José)

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