Atlas/Estadão: 62% dizem que STF não trata todos os investigados da mesma forma

Pesquisa feita entre os dias 17 e 21 de setembro indica ainda que 41% acreditam que decisões da Corte não são justas

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Atualização:

Crise no STF ‘corrompe a democracia’ e interfere na eleição, diz coordenador do Derrubando Muros

José Cesar Martins afirma que crise no STF interfere na eleição, defende instância externa para investigar ministros. Crédito: José Cesar Martins e Hugo Fernando

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BRASÍLIA – A maior parte dos brasileiros acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) não adota os mesmos critérios para todos. É o que indica a pesquisa Atlas/Estadão publicada nesta terça-feira, 22.

Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão do STF Foto: Gustavo Moreno/STF

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O levantamento submeteu os participantes à afirmação de que a Corte “trata todos os investigados da mesma forma, independentemente de poder econômico ou político”. Ao todo, 62% declararam discordar totalmente da frase e 14%, apenas discordar.

Outros 9% não concordam nem discordam. Somente 6% concordam e 9% concordam totalmente.

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No total, 1.852 pessoas responderam ao questionário pela internet entre os dias 17 e 21 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

A consulta ocorreu após a ruidosa sessão plenária do último dia 15, para quando estava marcada votação para decidir se seria aberto inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes.

A deliberação sobre o tema não ocorreu devido a pedido de vista de Flávio Dino. Os ministros nem sequer chegaram a votar o mérito do que estava em pauta. Limitaram-se a discutir uma questão preliminar sobre se deveriam debater, em uma única sessão, a abertura de investigação contra Moraes e contra André Mendonça, suspeito de parcialidade na condução das apurações.

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Outros dados da pesquisa corroboram o momento de descrédito por que passa o Supremo. O levantamento submeteu os participantes à seguinte afirmação: “de forma geral, as decisões do STF costumam ser justas”.

Dos respondentes, 41% disseram discordar totalmente e 10%, discordar. Outros 19% nem concordam nem discordam. Somente 15% concordam e 14% concordam totalmente.

Relatório da Polícia Federal revelado pelo Estadão no início de setembro e depois tornado público por Mendonça, então relator da Operação Compliance Zero, expôs mensagens de Vorcaro a Moraes. O banqueiro perguntou se deveria sair do País na antevéspera de sua prisão. Também lhe pediu que intercedesse com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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O documento revelou ainda que o ministro editou minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Moraes, então, revidou com acusações de que Mendonça era parcial e tentava favorecer o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para ampará-la, usou relatório apócrifo da PF sem valor probatório.

Agora, o plenário da Corte tem que votar pela abertura de investigações contra eles.

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O levantamento Atlas/Estadão também expôs a desconfiança sobre a condução do caso pelos ministros. A pesquisa colocou a afirmação de que “a análise do caso Master pelo STF aumenta a confiança no processo e fortalece a democracia brasileira”.

Do total de participantes, 41% disse discordar totalmente e 12%, somente discordar. Outros 19% nem discordam, nem concordam. Somente 12% concordam e 22% concordam totalmente.

Além de Moraes, outros ministros foram citados no decorrer da investigação. Dias Toffoli foi implicado no caso devido ao resort Tayayá, no interior do Paraná. O empreendimento pertencia formalmente a familiares do ministro e, como revelou o Estadão, tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.

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O magistrado chegou a atuar como relator nos processos da Operação Compliance Zero no Supremo, mas deixou o comando do caso após a revelação de sua relação econômica com o banqueiro. O caso foi redistribuído a Mendonça.

Como mostrou o Estadão, mensagens trocadas por WhatsApp por Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. A informação aparece em conversa do banqueiro com o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em julho de 2025.

No caso de Luiz Fux, dados do celular mostram conversas do banqueiro com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do STF. Nos diálogos, Vorcaro chamou o advogado para “me ajudar num caso” e ambos marcam reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Rodrigo, em um dos diálogos, respondeu: “Tapete vermelho, irmão”.

Ainda há registros de reuniões do dono do Banco Master com os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Mendonça admitiu ter se reunido com Vorcaro na sede do instituto educacional mantido pelo magistrado. Após a repercussão do caso, o ministro deixou a sociedade da instituição.

Gilmar também confirmou um encontro com Vorcaro, acompanhado de dois advogados do Banco Master, para tratar de uma causa bilionária de interesse do banqueiro. O Estadão também revelou que o ex-cunhado do ministro, Chiquinho Feitosa, firmou contrato de “assessoria” com a Super Empreendimentos, empresa apontada pela PF como instrumento de Vorcaro para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.

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