Hora de votar em congressistas capazes de reformar o STF
É urgente uma reforma do sistema de Justiça e a adoção de código de conduta para todos os magistrados; resposta terá que vir do Congresso. Crédito: Estadão
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BRASÍLIA – Após divulgação de dados da Polícia Federal com detalhes sobre a proximidade do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com autoridades, aumentou a crença dos brasileiros de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm envolvimento direto no escândalo protagonizado pelo empresário.
O diagnóstico consta na pesquisa Atlas/Estadão publicada nesta terça-feira, 22. Hoje, 85,1% acreditam que “sim, há envolvimento direto de ministros do STF no caso do Banco Master”, enquanto 4,4% respondem que não. Outros 10,5% afirmam não saber.

Em março, quando levantamento fez a mesma pergunta, 66,1% dos entrevistados acreditavam no envolvimento direto de membros da Corte e 14,9% diziam que não. Outros 18,9% declaravam não saber.
Os grupos demográficos que mais acreditam no envolvimento dos magistrados são os jovens, de 16 a 24 anos (99,3%), os moradores da Região Norte (99,2%), os eleitores que não votaram no segundo turno das eleições presidenciais de 2022 (98,7%) e os evangélicos (95,8%).
Os segmentos com mais representantes dentre aqueles que não acreditam no envolvimento direto de ministros são os autodeclarados “agnósticos ou ateus” (14,8%) e aqueles com renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil (10,5%). Em seguida estão os brasileiros de 60 a 100 anos de idade (9,5%) e eleitores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 (9%).
Essas segmentações indicam divisões entre alguns grupos. Há, por exemplo, mais homens do que mulheres dentre os que acreditam no envolvimento direto de ministros no caso Master. Essa convicção também tem mais adeptos quanto maior o nível de escolaridade.
Evangélicos estão mais bem representados nesse grupo do que católicos, ateus ou agnósticos e pessoas que professam outras religiões. Moradores do Nordeste acreditam menos no envolvimento de ministros do que os das demais regiões.
A pesquisa ouviu 1.852 brasileiros por meio de recrutamento digital aleatório (pela internet) entre os dias 17 e 21 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
A deterioração na avaliação dos brasileiros sobre a participação de ministros do Supremo nos fatos investigados no contexto da Operação Compliance Zero ocorre depois de uma série de documentos produzidos pela força-tarefa serem publicizados.
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Como revelou o Estadão, relatório da PF listou 51 mensagens de Vorcaro para o ministro Alexandre Moraes em 21 dias. Nas mensagens há pedidos, consultas, cobranças e a “gratidão” de Vorcaro a Moraes.
Após a divulgação das informações, o ministro André Mendonça, então relator do caso no STF, derrubou o sigilo do documento com detalhes sobre diálogos de Vorcaro com Moraes, a quem ele perguntou, na antevéspera de sua prisão, se deveria sair do País. O banqueiro também pediu ao magistrado que intercedesse por ele com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da Republica Paulo Gonet.
Ainda no relatório, há dados de um segundo contrato de Vorcaro com o escritório, com valor de R$ 50 milhões e que foi pago por meio da transferência de cotas de duas aeronaves dele, em uma espécie de sociedade oculta, apontam os diálogos.
As conversas também mostram que o Banco Master emitiu, em outubro de 2025, cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro, a pedido do Barci de Moraes.
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Decisão posterior do presidente do STF, Edson Fachin, distribuiu aos gabinetes dos demais membros do tribunal a íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro. O dispositivo continha informações sobre outros ministros.
Nos diálogos, como mostrou o Estadão, constam, por exemplo, pagamento de R$ 500 mil realizados por meio de outra empresa ao escritório de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques.
Na sessão plenária realizada no último dia 15, quando estava prevista a deliberação sobre a abertura de inquérito contra Moraes, Nunes Marques declarou-se impedido, afirmou nunca ter julgado casos de interesse do Master e que ele e seu filho nunca receberam recursos do banco.
Conforme revelado pelo Estadão em março, o banco de Daniel Vorcaro enviou R$ 6,6 milhões à empresa Consult, que repassou valores a Kevin.
O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, também aparece nos diálogos com o banqueiro, que lhe pediu “ajudar em um caso” e bancou entrada dele e de familiares em um camarote para assistir ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Dias Toffoli é outro ministro implicado no caso, devido ao resort Tayayá, no interior do Paraná. O empreendimento pertencia formalmente a familiares do magistrado e, como revelou o Estadão, tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.
Ainda há registros de reuniões do dono do Banco Master com os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Mendonça admitiu ter se reunido com Vorcaro na sede do instituto educacional mantido pelo magistrado. Após a repercussão do caso, o ministro deixou a sociedade da instituição.
Gilmar também confirmou um encontro com Vorcaro, acompanhado de dois advogados do Banco Master, para tratar de uma causa bilionária de interesse do banqueiro. O Estadão também revelou que o ex-cunhado do ministro, Chiquinho Feitosa, firmou contrato de “assessoria” com a Super Empreendimentos, empresa apontada pela PF como instrumento de Vorcaro para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.











