
A Polícia Federal abriu na manhã desta quarta-feira, 14, a Operação Disque 100 na mira de blogueiros bolsonaristas por ataques a agentes que atuam em inquéritos junto ao Supremo Tribunal Federal. Os alvos principais da ofensiva são Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, que são alvo de mandados de prisão preventiva. As ordens não foram cumpridas em razão de ambos viverem no exterior - Estados Unidos e Espanha, respectivamente.
O influenciador Ed Raposo é alvo de buscas. O senador Marcos do Val também é investigado - o parlamentar teve seu perfil no Instagram suspenso e foi alvo de um bloqueio de até R$ 50 milhões em suas contas.
Segundo a Polícia Federal, a ofensiva mira uma “estrutura de obstrução de investigação de organizações criminosas mediante divulgação de dados protegidos e corrupção de crianças e adolescentes”. São investigadas ações dos blogueiros e de seus aliados para expor e intimidar policiais federais e suas famílias, “como forma de causar embaraço às apurações” em curso no STF.
Os investigadores apontam suposto emprego de “crianças e adolescentes e seus perfis em redes sociais” para atacar os agentes da PF, com uso “condição de menoridade para ocultar a verdadeira autoria” dos crimes. Em razão do envolvimento de menores de idade, as diligências são cumpridas em conjunto com o Conselho Tutelar da Secretaria de Justiça do Distrito Federal.
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Agentes vasculham dois endereços ligados aos blogueiros e cumprem nove medidas cautelares diversas da prisão. As diligências são realizadas no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Amazonas e no Distrito Federal. A ofensiva apura supostos crimes de corrupção de menores, divulgação de segredo e embaraço à investigação sobre organização criminosa.
As ordens da Operação Disque 100 foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e são cumpridas um dia depois de o jornal Folha de S. Paulo publicar mensagens trocadas pelo ministro e por seus auxiliares sobre a produção de relatórios que, posteriormente, foram usados em decisões contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante as diligências, o perfil da filha de Oswaldo Eustáquio fez uma postagem sobre a presença de policiais em sua casa. Segundo a Polícia Federal, o posto foi feito enquanto a adolescente ainda estava dormindo, o que indica a “efetiva utilização” do perfil por “maiores de idade, inclusive responsáveis legais, para a realização das condutas de obstrução das investigações”.
Moraes decretou o bloqueio das redes sociais da filha de Oswaldo Eustáquio no bojo da ofensiva, para “fazer cessar os crimes”, segundo a PF. A corporação indicou que a conta de Mariana no X ainda está ativa por descumprimento da ordem por parte da rede social controlada por Ellon Musk.
O nome da ofensiva faz referência ao Disque Direitos Humanos, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que recebe denúncias de violações de Direitos Humanos, “especialmente as que atingem populações em situação de vulnerabilidade social, como crianças e adolescentes”.




