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Na pista de empresas de ônibus que lavam dinheiro do PCC, Promotoria quer ouvir Tatto e Milton Leite

No corpo de acusação levada à Justiça contra 29 ‘infiltrados’ da facção em duas companhias de transporte público da capital paulista, Ministério Público de São Paulo arrola deputado petista e presidente da Câmara paulistana para prestarem depoimento

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Foto do author Pepita Ortega
Foto do author Fausto Macedo
Por Pepita Ortega e Fausto Macedo
Atualização:
Trecho de denúncia do MP-SP Foto: rEPRODUÇÃO

Na denúncia em que atribui a donos de empresas de ônibus da capital paulista suposta lavagem de dinheiro do PCC, dois políticos listados como testemunhas pelo Ministério Público de São Paulo se destacam: o deputado Jilmar Augustinho Tatto (PT-SP) e o presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo Milton Leite da Silva (União Brasil). A Promotoria quer ouvir Tatto e Milton Leite no bojo de uma eventual ação contra os dirigentes da Transwolff Transportes, empresa que teria recebido R$ 54 milhões do tráfico de drogas patrocinado pelo PCC.

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A reportagem entrou em contato com Tatto e Leite. O deputado ainda não se manifestou. Leite afirmou: “Não recebi nada oficialmente, mas estou sempre à disposição da Justiça e do Ministério Público.”

Segundo o Ministério Público, este valor viabilizou a participação da companhia em licitações para prestação de serviço de transporte público em São Paulo.

As razões para os nomes dos dois parlamentares serem arrolados como testemunhas na denúncia sobre supostos crimes envolvendo a Transwollf não são discriminadas pela Promotoria.

Outro nome citado pelo MP é Marcelo José Brandão Machado, que presidiu a Comissão Especial de Licitações da Secretaria de Mobilidade e Transportes de São Paulo.

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Como mostrou o Estadão, os promotores ainda querem apurar se há envolvimento de agentes públicos no megaesquema que foi desbaratado pela Operação Fim da Linha - a fase ostensiva da apuração foi aberta nesta terça, 9, com o cumprimento de quatro ordens de prisão e 52 de busca e apreensão, além do bloqueio de até R$ 680 milhões em bens dos investigados.

Jilmar Tatto. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Ao apresentar as denúncias à Justiça, o Ministério Público pediu o compartilhamento das provas com a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Município e a Controladoria-Geral do Município para apuração de ‘eventual ato de improbidade administrativa’.

Milton Leite e Machado são citados apenas no rol de testemunhas em uma das denúncias do Ministério Público de São Paulo.

Jilmar Tatto é mencionado também quando os promotores contextualizam supostos ‘indícios do crime antecedente (ao de lavagem de dinheiro do PCC) de organização criminosa’.

A acusação da Promotoria é centrada em Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o ‘Pandora’. Ele é considerado pelos investigadores como o elo do grupo TW-Cooperpam com o PCC. Segundo a denúncia, uma das portas que a facção teria usado para injetar dinheiro na empresa de ônibus foi a conta de ‘Pandora’.

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O nome de Tatto surgiu na investigação quando os promotores acessaram os antecedentes criminais de ‘Pandora’. Eles identificaram, por exemplo, que o denunciado foi indiciado, em 2006, por formação de quadrilha.

Na época, ‘Pandora’ teria tentado financiar, via Cooperpam (empresa que antecedeu a TW), a tentativa de resgate de um líder do PCC, o ‘Branco’, que estava preso. A ordem para tirar ‘Branco’ do presídio foi dada por um outro chefe da facção, o ‘Granada’, que estava detido em Araraquara, interior de São Paulo.

Milton Leite Foto: Andre Bueno | REDE CAMARA SP

Segundo os investigadores, no mesmo período, foi aberto um inquérito policial sobre Tatto, ex-secretário municipal de Transportes de São Paulo na gestão Marta Suplicy, e outras sete pessoas acusadas de envolvimento com o crime organizado.

A investigação se debruçava sobre suposto esquema de irregularidades na concessão de linhas da Cooperpam, apontada pelo MP como ‘uma das principais cooperativas de transportes alternativos do município de São Paulo à época, envolvida com o PCC’.

O inquérito citava ‘Pandora’. Segundo a Promotoria, ele foi ouvido na investigação e ‘admitiu que a “facção” estava infiltrada entre os perueiros’.

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Os investigadores apontam que o depoimento de ‘Pandora’, na época, levou a um pedido de prisão preventiva de Jilmar Tatto, que foi negado.

PCC e a Transwolff/Cooperpam

A ligação entre o PCC, Transwolff e Cooperpam também foi confirmada, segundo os investigadores, por meio da consulta ao quadro de sócios da segunda empresa. No documento consta como diretor da Cooperpam Robson Flares Lopes Pontes. A Promotoria diz que Robson é irmão de um importante líder do PCC, o ‘Dinamarca’.

Em 2013, Robson e o irmão foram presos flagrante e processados por tráfico de drogas e porte ilegal de munição de uso restrito. A ação não prosperou. A Justiça decretou a extinção da punibilidade da dupla, por prescrição e morte de ‘Dinamarca’.

Nessa linha, os investigadores argumentam à Justiça de São Paulo: “Os elementos de informação acima detalhados, tomados em conjunto, permitem concluir que o grupo econômico ORCRIM TW/COOPERPAM possui conexão com a organização criminosa PCC, cujos membros se utilizaram da estrutura societária e do setor de transporte público para ocultar, dissimular e integrar os valores de origem criminosa”.

COM A PALAVRA, JILMAR TATTO

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A reportagem busca contato com Jilmar Tatto. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, MILTON LEITE

“Não recebi nada oficialmente, mas estou sempre à disposição da Justiça e do Ministério Público.”

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