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Procuradoria denuncia Francisco Maximiano por propinas de R$ 2,5 milhões da Global Saúde nos Correios

Além de empresário, alvo da CPI da Covid, Ministério Público Federal em São Paulo acusa mais quatro por corrupção, inclusive um ex-executivo da ECT; esquema operou entre 2011 e 2014 em troca da venda de serviço de seguro para remédios aos funcionários da estatal

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Foto do author Rayssa Motta
Foto do author Fausto Macedo
Por Rayssa Motta e Fausto Macedo
Atualização:

O dono da Global, Francisco Maximiano, em depoimento à CPI da Covid Foto: GABRIELA BILO/ESTADÃO

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro contra o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, a irmã e sócia dele, Michelli Maximiano Gonçalves, o ex-executivo dos Correios, Nelson Luiz Oliveira de Freitas, 0 ex-presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores das Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), José Rivaldo da Silva, e o advogado Alexandre Romano por participação em um suposto esquema que teria favorecido a empresa Global Gestão em Saúde em um contrato com os Correios.

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A investigação aponta o pagamento de R$ 2,5 milhões em propinas pela Global, entre 2011 e 2014, em troca da venda de um serviço de seguro para remédios aos funcionários da estatal de entregas.

A denúncia teve como ponto de partida o acordo de colaboração premiada de Alexandre Romano, o 'Chumbinho', ex-vereador de Americana (SP) pelo PT. Ele que teria operado os pagamentos através de empresas de fachada para tentar despistar órgãos de controle. O ex-parlamentar foi preso na Operação Pixuleco II, 18.ª fase da Lava Jato.

"Para justificar as transferências de valores para tais intermediadores, foi firmado de contrato de prestação de serviços fictícios com a empresa Global, pagos mediante a emissão de notas fiscais ideologicamente falsas", diz um trecho da denúncia.

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 Foto: Tiago Queiroz/Estadão

De acordo com as apurações, o convênio com a Global Saúde foi fechado através da Fentect, entidade privada que recebe recursos dos Correios, para burlar a necessidade de licitação.

Em um primeiro momento, a adesão ao plano por parte dos trabalhadores era voluntária. Na fase inicial, Maximiano pagaria uma propina de R$ 50 mil mensais para Romano e Freitas. Em 2013, foi criada a Postal Saúde, entidade sem fins lucrativos que passou a ser responsável pela gestão de saúde dos funcionários dos Correios, incluindo o contrato com a Global. No ano seguinte, a adesão ao 'Vale Medicamento'passou a ser obrigatória, o que fez com que o faturamento da Global Saúde pulasse de aproximadamente R$ 800 mil para R$ 3,2 milhões, segundo a investigação. Como resultado, o valor das propinas pagas também quadriplicou, passando de R$ 50 mil para R$ 200 mil mensais, de acordo com o MPF.

Na manhã de hoje, a Global Saúde foi alvo de buscas na Operação Acurácia, que apura suspeitas de um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e corrupção em contratos com empresas públicas, incluindo os Correios, a Petrobras e o Ministério da Saúde.

COM A PALAVRA, FRANCISCO MAXIMIANO

A reportagem entrou em contato com a defesa do empresário e aguarda resposta. Mais cedo, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que representam o empresário, disseram que há 'oportunismo' e 'pirotecnia' em torno das investigações que atingem a empresa.

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COM A PALAVRA OS DEMAIS CITADOS

A reportagem busca contato com os demais citados. O espaço está aberto para manifestação (rayssa.motta@estadao.com e fausto.macedo@estadao.com).

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