Bolsonaristas voltam às ruas em defesa de ex-presidente e contra Alexandre de Moraes
Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) organizam neste domingo, 3, uma série de atos pelo País em defesa do ex-presidente e críticas ao ministro do STF. Crédito: Reprodução X/@FlavioBolsonaro; @PaladinRood; @PortaldoDantas; @ImpactoDireto_; GayerGus; Crédito: Juliano Galisi/Estadão
Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) realizaram neste domingo, 3, uma série de atos pelo País em defesa do ex-presidente. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os principais alvos de ataques dos manifestantes. Bolsonaro saudou manifestantes no Rio num ligação com o filho Fávio. Especialistas ouvidos pela reportagem acreditam que ação pode configurar descumprimento de decisão do Supremo.
Sob o mote “Reaja, Brasil”, a manifestação marcada para São Paulo aconteceu na Avenida Paulista, um dos principais pontos turísticos da capital.
Bolsonaristas avaliam que o momento era oportuno para as manifestações por causa da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, o que, segundo eles, reforçou a narrativa de que o ministro promove censura e perseguição política no Brasil.

Sem a presença do ex-presidente, impedido de deixar sua residência aos finais de semana por determinação do STF, o pastor Silas Malafaia acabou sendo o principal orador do ato realizado num dos principais cartões postais da capital paulista.
O pastor voltou a chamar Moraes de “criminoso”, cobrou o arquivamento das ações em curso contra bolsonaristas e pediu “um minuto de silêncio” para rezar e pedir a Deus para quebrar “a dureza, ambição e vaidade” dos parlamentares e ministros do STF.
Para compensar a ausência do ex-presidente nas ruas, familiares de Bolsonaro participaram de atos realizados em diferentes cidades.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro(PL) esteve em Belém, reforçando os atos na região Norte, enquanto o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) marcou presença no ato em Copacabana, no Rio de Janeiro.
“Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”, saudou o ex-presidente para os manifestantes que foram até a orla de Copacabana numa ligação para o filho.
O advogado criminalista Matheus Falivene, doutor em Direito Penal pela USP, avalia que a publicação pode configurar descumprimento de decisão do STF e deve reabrir um debate sobre cautelares mais duras ou mesmo sobre prisão do ex-presidente.
As manifestações pró-Bolsonaro deste domingo foram as primeiras realizadas após o anúncio de sanções dos Estados Unidos ao Brasil, estimuladas por um dos filhos do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O governo de Donald Trump alegou que Bolsonaro sofre uma “caça às bruxas” e impôs tarifas de 50% às importações brasileiras, além de sancionar o ministro Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky.
Público aumenta na Paulista
O comparecimento aos atos em favor do ex-presidente minguou à medida do avanço da investigação e da ação penal por tentativa de golpe de Estado, da qual é réu. Mas o desempenho deste domingo foi melhor do que o registrado em junho.

Em fevereiro de 2024, mais de 125 mil pessoas estiveram presentes na Avenida Paulista. Em 29 de junho, um protesto no mesmo local reuniu 12,4 mil pessoas.
Neste domingo, mesmo sem a participação de Bolsonaro, 37,6 mil apoiadores estiveram na Avenida Paulista, segundo contagem feita pelo Monitor do Debate Público do Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP). A margem de erro é de 12%, o que faz com que o número possa variar entre 33,1 mil e 42,1 mil participantes.

Em 7 de julho, Donald Trump declarou que a ação penal por tentativa de golpe era uma “caça às bruxas” a Jair Bolsonaro. Em 9 de julho, o americano anunciou que taxaria importações brasileiras em 50%. Em 18 de julho, Bolsonaro foi alvo de medidas cautelares por tentar criar “entraves econômicos” ao Brasil em uma tentativa de coagir o curso do processo em que é réu.
Em 29 de julho, o governo Trump impôs a Alexandre de Moraes sanções da Lei Magnitsky. No mesmo dia, oficializou o tarifaço, previsto para iniciar em 6 de agosto. Mais de 600 produtos ficaram de fora da tarifa adicional.
Manifestações ocorrem em outras cidades pelo País
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) liderou a manifestação bolsonarista em Belo Horizonte (MG) e usou o seu discurso para provocar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que foi alvo de sanções do governo Donald Trump na última semana.
“Alexandre de Moraes, você é um cara corajoso. Mas sem toga você é nada”, disse Niikolas. “Nós muito bem sabemos que o STF não é o dono do Brasil”, completou.
Além de Belo Horizonte, as manifestações ocorrem em diversas cidades do País, incluindo municípios do interior.
No Rio de Janeiro, o ato foi liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ato ocorreu na orla de Copacabana. Em Brasília, a manifestação foi feita em forma de passeata.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) faltou ao ato na avenida Paulista, mas participou da manifestação realizada em Belém.
“Hoje é o dia em que se comemora o Fim da Censura no Brasil! Censura que, infelizmente, voltou! Que as manifestações de hoje reacendam o vigor brasileiro para recuperarmos nossa liberdade e acabar com o avanço da censura no Brasil ! Aqui em Belém, pude sentir toda a emoção e vibração positiva do povo do Norte”, afirmou Michelle em posto nas redes sociais após o evento.







