Por dentro dos tribunais

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Ministros do STF reclamam de pedido de rastreamento feito à Receita Federal por Alexandre de Moraes

Procedimento gera desconforto entre ministros, que alegam que apenas o presidente do STF poderia autorizar tal ação

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Foto do autor Carolina Brígido
Atualização:

Inquérito de Moraes sobre Coaf e Receita é o caminho para as retaliações? | Roseann Kennedy

Roseann Kennedy comenta sobre investigação de ofício foi instaurada após notícias sobre contrato da mulher do ministro com o Banco Master. Crédito: Jefferson Perleberg (edição)

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reclamam do procedimento adotado por Alexandre de Moraes de pedir à Receita Federal um rastreamento nos seus sistemas para verificar se houve quebra de sigilo de dados de cerca de cem pessoas, incluindo ministros da Corte e seus familiares. A suspeita era de que a lista contava com pais, filhos, irmãos e cônjuges dos dez ministros.

Um integrante do Supremo disse ao Estadão em caráter reservado que somente o presidente do tribunal, Edson Fachin, poderia fazer esse tipo de pedido, a partir de requerimento da Procuradoria-Geral da República (PGR). Outros dois ministros concordam com essa ponderação.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, iniciou uma investigação para apurar eventual vazamento de dados sigilosos de ministros da Corte Foto: Wilton Junior/Estadão

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Nesta terça-feira, 17, a Polícia Federal realizou uma operação por ordem do STF para instruir a investigação sobre eventuais vazamentos de dados de ministros e seus parentes. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Também foram determinadas medidas cautelares — como o monitoramento por tornozeleira eletrônica e o cancelamento de passaportes. O caso tramita sob sigilo e o STF não forneceu informações sobre a operação.

A suspeita de vazamentos de informações sigilosas veio à tona a partir das investigações das fraudes no Banco Master. Uma ala do STF suspeita que a PF investigou ministros do tribunal de forma ilegal. A desconfiança ganhou força depois que, na semana passada, a PF enviou ao Supremo um relatório de 200 páginas sobre eventual envolvimento de Dias Toffoli com os negócios de Daniel Vorcaro.

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Em janeiro, quando estava interinamente na presidência do Supremo, Moraes abriu uma investigação no âmbito do inquérito das fake news, do qual é relator, para apurar eventual vazamento ilegal de dados de ministros e familiares. A Receita e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) seriam os responsáveis por manter o sigilo das informações supostamente vazadas.

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Análise por Carolina Brígido

Escreve sobre Poder Judiciário, com ênfase no STF, desde 2001. Trabalhou no UOL, na CNN, no jornal O GLOBO e na revista Época. É formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília.

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