Cerimônia com ministra prestes a deixar cargo é marcada por clima de constrangimento

Ministra da Saúde assinou portarias em solenidade no Planalto com presença do presidente Lula

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Foto do autor Vera Rosa
Foto do autor Sofia  Aguiar
Atualização:

BRASÍLIA – A cerimônia em que a ministra da Saúde, Nísia Trindade, assinou portarias referentes à produção de vacinas, nesta terça-feira, 25, foi marcada por constrangimento. Prestes a deixar o cargo, dando início à reforma ministerial, Nísia fez um longo discurso, em tom de despedida, e agradeceu nominalmente vários integrantes de sua equipe.

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Ao final do discurso, a ministra assinou parcerias para produção de vacinas contra dengue, influenza H5N8, vírus sincicial respiratório (VSR) e ampliação do fornecimento de insulina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nísia pediu para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se levantasse para participar de fotos com os documentos assinados.

“Presidente, venha você também, presidente”, disse a ministra.

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Em um determinado momento do discurso, o embaixador Fernando Igreja, chefe do cerimonial da Presidência, foi até o chefe do Executivo e entregou a ele uma pasta com a cópia de discurso. Na conversa, que durou alguns instantes, Lula apontou para o relógio. Desde o início do ano, o presidente tem pedido para os ministros não falarem por mais de cinco minutos nas cerimônias. O pronunciamento de Nísia, porém, ultrapassou 30 minutos.

No fim da solenidade, realizada no Salão Leste do Palácio do Planalto, um repórter perguntou: “Presidente, o senhor vai fazer mudanças no Ministério?.” Lula se surpreendeu com o questionamento, houve silêncio no Salão Leste, mas ele não respondeu.

O presidente da República Luíz Inácio Lula da Silva (PT) durante a cerimônia com a ministra da Saúde, Nísia Trindade Foto: WILTON JUNIOR

O presidente escolheu o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para o lugar de Nísia. Até a hora da cerimônia, no entanto, o anúncio da troca ainda não havia sido feito. Nos bastidores, a ministra disse que o que mais lhe incomodava era o silêncio sobre sua situação.

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Ao chegar para a cerimônia e durante seu discurso, Nísia foi ovacionada pela plateia, como um sinal de desagravo à “fritura” que vem sofrendo. A ministra fez vários elogios a Lula, falou em “trabalho integrado” com sua equipe e pediu até um minuto de silêncio pela saúde do Papa.

Lula não discursou, como é de praxe em cerimônias como essa, e a todo momento olhava o relógio. Quem tentou quebrar o clima pesado foi o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

“O ministro Walfrido ganhou de nós: a nossa meia é colorida, mas ele é sem-meia”, disse Alckmin para Lula, numa referência ao ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, hoje um dos sócios da empresa Biomm, que estava na plateia.

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