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Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia. Com Eduardo Barretto e Leticia Fernandes

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Pautas-bomba expõem novo capítulo da desarticulação política do governo Lula, agora com rombo fiscal

Apesar de o presidente reclamar, integrantes de seu partido também agiram para ampliar os gastos e ignoraram alertas da oposição na CCJ

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Foto do autor Leticia Fernandes
Atualização:

A aprovação das chamadas pautas-bomba pelo Senado nesta semana representou mais uma derrota do governo Lula. O resultado expôs a desarticulação política de seus líderes, especialmente o do Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e explicitou também a falta de coerência entre discurso e prática dos governistas. Resultado: a fatura poderá ser um rombo no orçamento que chega a R$ 250 bilhões para a União, Estados e municípios.

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Um exemplo ocorreu na Comissão de Constituição e Justiça, na aprovação de um regime de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. Enquanto os senadores de oposição Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e Tereza Cristina (PP-MS) alertavam para o impacto orçamentário que a matéria poderia trazer, chegando inclusive a pedir vista, os parlamentares do PT e aliados do Planalto defendiam a aprovação da matéria.

Foram favoráveis à aprovação os petistas Fabiano Contarato (ES) e Rogério Carvalho (SE), além de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Weverton Rocha (PDT-MA).

“É evidente que esse pessoal (agentes comunitários) merece, mas não adianta aprovar e não ter dinheiro para pagar”, alertou Guimarães.

“Só acho que estamos abrindo uma porteira. Temos uma série de categorias querendo isso”, disse Tereza Cristina, que retirou o pedido de vista diante da insistência de governistas.

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Líderes ausentes

Irritado com a falha na articulação, e ciente de que os senadores estão mais interessados em acenar para suas bases eleitorais do que em proteger o governo, o Palácio do Planalto já sinalizou que deve ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para conter a entrada em vigor dos projetos aprovados pelos senadores, inclusive os aliados.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também conta com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PR), para ajudá-lo a travar a tramitação de uma das medidas. A pauta da Casa já está paralisada por conta da urgência do projeto de lei que trata do fim da escala de 6x1, e o governo conta com isso para ganhar tempo.

Uma das pautas-bomba aprovadas, a renegociação de dívidas de produtores rurais, um aceno do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à bancada do agronegócio, voltará à Câmara porque foi modificada pelos senadores. Lula também pode vetar ao menos parcialmente o projeto.

“Sempre dá para segurar na Câmara”, disse um aliado de Hugo Motta, reclamando, entretanto, que “a disputa de Lula e Alcolumbre sobrou para o Hugo”.

Após a derrota do governo, interlocutores de Jaques Wagner afirmaram que ele minimizou mais uma vez as atitudes de Alcolumbre, acreditando que o presidente do Senado não pautaria as propostas com a proximidade das eleições, e que teria sinalizado que não o faria. A Coluna do Estadão entrou em contato e o espaço está aberto para manifestação de Jaques Wagner.

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Para o economista André Perfeito, da Garantia Capital, a briga entre Congresso e governo pode tornar mais agudo o processo de percepção fiscal que se traduz em juros mais elevados.

“Esse mal estar político está se traduzindo de forma econômica, através da indisciplina fiscal dessas pautas-bomba, que vai se traduzir numa leitura reiterada de juros elevados no Brasil. E isso tem custos para a sociedade como um todo”, afirmou Perfeito à Coluna.

O presidente Lula com a base desarticulada tem sofrido derrotas articuladas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre  Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Governo acumula derrotas no Senado

Desde o ano passado, o governo acumula derrotas no Senado, em uma relação cada vez mais estremecida entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre.

  • Em junho de 2025, o Congresso derrubou três decretos de Lula sobre a alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), uma perda de arrecadação que foi estimada em R$ 10 bilhões para o ano. O governo contava com o aumento no IOF para cobrir o rombo nas contas públicas e foi ao STF para tentar manter em vigor os decretos. O ministro Alexandre de Moraes restabeleceu parcialmente a validade dos decretos;
  • Em agosto do ano passado, o governo perdeu a presidência da CPMI do INSS por uma falha de articulação política. Na época, Randolfe chegou a dizer que “o time entrou de salto alto e subestimou o adversário”;
  • Em abril deste ano, o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado para a vaga aberta no STF, o primeiro “não” dado pelo Senado a uma indicação desde 1894. A derrota fragorosa expôs falhas na articulação do governo Lula e a força de Davi Alcolumbre junto aos pares;
  • No dia seguinte, o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto da Dosimetria, que reduz a pena para os condenados por atos golpistas do 8 de Janeiro, e que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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