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Coluna do Estadão

| Por Roseann Kennedy

Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia, com Eduardo Gayer e Augusto Tenório

‘Quase vice’ acusa ex-prefeito de comprar carro, não fazer transferência e deixar de pagar IPVA

A denúncia na Justiça foi apresentada pelo suplente de deputado federal Junior Orosco contra o deputado estadual e ex-prefeito Átila Jacomussi, que nega ter comprado o veículo, exige provas de transação e avisa que processará antigo aliado

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Por Heitor Mazzoco
Atualização:

De aliados no passado a desafetos no presente. Essa é a situação envolvendo o suplente de deputado federal Junior Orosco (União) e o ex-prefeito e atual deputado estadual Átila Jacomussi (SD), ambos com reduto eleitoral em Mauá, na Grande São Paulo. E o distanciamento dos dois pode ser confirmado por uma ação em trâmite na 17ª Vara Cível da capital paulista, que envolve uma suposta venda de um carro modelo 2012 e uma dívida de quase R$ 70 mil, incluindo multas, licenciamentos e impostos atrasados.

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Orosco acionou Jacomussi na Justiça. Alegou ter vendido um veículo KIA Sorento para Jacomussi por meio de sua empresa, a Orosco Holding Empreendimentos Imobiliários Ltda, em novembro de 2016. “Todavia, para surpresa da empresa autora, até o momento o réu não transferiu o veículo para seu nome, nem sequer efetuou os pagamentos dos impostos, multas e tudo mais que deriva da propriedade do veículo”, diz trecho da inicial obtida pela Coluna do Estadão.

Apenas de IPVA, Orosco sustenta na ação que Jacomussi deixou de pagar R$ 24.340,32 (desde 2018). As multas já passam de R$ 40 mil em 47 infrações de trânsito. Há também cobrança de taxas de licenciamento.

Jacomussi nega a compra do veículo, exige comprovação e avisa que vai processar o agora adversário. Procurado, seu chefe de gabinete, que também é advogado, Gilberto João de Oliveira, informou que Jacomussi espera que Orosco apresente contrato e notas da suposta compra e que aguardará o encerramento da ação para processar Orosco.

Jacomussi (à esquerda) e Orosco durante a campanha eleitoral de 2016 Foto: Divulgação | Facebook

Em despacho, o juiz Renato Martins de Carvalho pediu a juntada de “documentos indispensáveis à propositura da lide, como contrato de venda do veículo”.

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As advogadas de Orosco responderam que a venda foi feita por acordo verbal, à época, e que Jacomussi não entregou o recibo de compra.

Advogadas de Orosco sustentam na ação que não têm recibo de venda de carro: 'ficou com réu' Foto: Divulgação | TJSP

Orosco quase foi vice de Jacomussi na disputa pela prefeitura em 2016

Átila Jacomussi foi eleito prefeito de Mauá pela primeira vez em 2016. Junior Orosco seria vice na chapa, mas por questões judiciais renunciou e deu lugar para a ex-sogra Alaide Damo.

Orosco não conseguiu porque a Justiça Eleitoral indeferiu seu pedido sob argumento de que o político ultrapassou o limite legal de doação na campanha de sua ex-mulher em 2014. À época, a empresa de Orosco transferiu R$ 29 mil para campanha da então candidata. No Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), o enquadramento na Lei da Ficha Limpa foi derrubado, mas apenas depois do pleito de 2016.

Posteriormente, Orosco assumiu a Secretaria de Obras do governo Jacomussi, mas deixou o cargo em meados de 2017 quando o casamento com Vanessa Damo terminou de maneira conturbada. Em meados de 2019, a relação entre Orosco e Jacomussi terminou de vez, depois de o então prefeito ser alvo de operações da Polícia Federal. Orosco disputou a eleição de 2022 e tornou-se suplente de deputado federal pelo União Brasil.

Átila Jacomussi é deputado estadual e articula candidatura para Prefeitura de Mauá neste ano Foto: Rodrigo Romeo/Alesp

Jacomussi teve mandato de prefeito cassado e hoje é deputado estadual

O deputado estadual Atila Jacomussi está no segundo mandato como deputado. Ele já foi vereador (duas vezes) e prefeito de Mauá. Deixou a prefeitura depois de ser preso duas vezes nas operações Prato Feito e Trato Feito. Ele, no entanto, não tem registro de condenação transitada em julgado na esfera federal, segundo informação da Polícia Federal.

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Os problemas de Jacomussi com a Justiça começaram em maio de 2018, quando então chefe do Poder Executivo de Mauá foi preso no âmbito da Operação Prato Feito. A suspeita era de esquema de corrupção envolvendo merenda escolar. Na ocasião, agentes da Polícia Federal encontraram R$ 80 mil em uma panela. Os defensores alegaram que o dinheiro era de pagamentos de aluguéis.

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No dia 13 de dezembro do mesmo ano, Jacomussi voltou a ser preso. Desta vez em uma operação desencadeada no desdobramento da Prato Feito, que foi nomeada como Trato Feito. Segundo apuração da PF, havia esquema de corrupção supostamente envolvendo vereadores em troca de apoio ao governo de Atila.

Com os desdobramentos da investigação, a Câmara de Mauá cassou Jacomussi em abril de 2019. Com liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), ele voltou ao cargo em setembro do mesmo ano.

Na eleição de 2020, Jacomussi perdeu para o atual prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira (PT), no segundo turno em disputa apertada: 50,74% a 49,26%. Para 2024, ele trabalha nos bastidores para concorrer mais uma vez contra Oliveira, que tentará reeleição.

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