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'Ciro não fala pelo partido', afirma governador

Campos responde a ex-ministro, segundo quem adversários de Dilma, incluindo colega, não têm 'visão de País'

Por Angela Lacerda e RECIFE
Atualização:

O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, rebateu ontem o correligionário Ciro Gomes, segundo quem os possíveis adversários de Dilma Rousseff no ano que vem - Campos incluído - não têm projeto para o País. "Discordo da opinião dele e essa não é a opinião do partido", afirmou o presidenciável do PSB ontem em Recife.No sábado, Ciro disse a uma rádio que "Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina não têm nenhuma proposta, nenhuma visão", numa referência também ao senador tucano e à ex-senadora que tenta criar o partido Rede Sustentabilidade. "Isso é o que me preocupa", disse Ciro, ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva pela cota do PSB.Campos diz ter entendido a frase como uma crítica também à gestão da presidente Dilma. "Isso não é nenhuma novidade, ele (Ciro) vem falando isso, só que desta vez ele falou em relação a Dilma, a Aécio, a Marina, a todos", disse o governador pernambucano.Indagado se o caminho de Ciro será a saída do PSB, Campos disse que "o PSB é um partido democrático", onde as pessoas "têm direito de ter suas opiniões". "Mas o debate sobre o que o partido vai fazer ou deixar de fazer deve ser travado no momento certo." Sobre a movimentação do governo federal para tirar o PSB do páreo na disputa presidencial em 2014 - com a eventual ajuda dos irmãos Ciro e Cid Gomes, governador do Ceará -, Campos disse não estar "pensando nisso". O governador disse que não vai comparecer ao encontro do PT em Fortaleza, dentro das comemorações dos 10 anos da legenda no governo federal - "o partido será representando pelo vice-presidente Roberto Amaral" - e não opinou sobre o fato de o PT não ter escolhido Recife como uma das sedes desses encontros. "É um direito do PT fazer encontros no Brasil inteiro, onde achar que deve fazer", afirmou ele.Segundo Campos, "não está em debate" a possibilidade de o PSB deixar os ministérios que ocupa no governo federal este ano - Integração Nacional e Portos. No evento do qual participou ontem, Campos usou seu discurso para defender a busca pela redução das desigualdades regionais.Nota. O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, divulgou uma nota para comentar as declarações de Ciro Gomes.Ele disse "lamentar profundamente a opinião desinformada sobre a visão de Eduardo Campos, seja sobre a crise econômica, que tanto tem denunciado, seja relativamente à sua visão de Brasil, que não é só dele, mas do partido". "Além de conhecer nossa realidade e formular suas análises, Eduardo Campos sintetiza o pensamento acumulado pelo PSB."Amaral ainda criticou a antecipação da discussão sobre a eleição presidencial de 2014. "É atitude antirrepublicana" que só interessa a "uma oposição atrasada, desqualificada e sem rumo" e a um candidato "que precisa de ghost writer para escrever seus discursos, lidos em estilo claudicante" - trata-se de uma referência a Aécio, que leu seu discurso contra o PT na tribuna do Senado na semana passada. "O nome de Eduardo Campos está nas folhas, nos meios de comunicação em geral, circula no meio político e ganha espaço na vida política brasileira e conquista a militância, mas nada foi decidido pelo partido", afirma a nota de Amaral.

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