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BRASÍLIA – Irmã do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a candidata à deputada estadual Olívia Motta (Republicanos-PB) omitiu R$ 1,05 milhão em cotas de sete empresas na declaração de bens enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A radiologista informou ter só R$ 10 mil em participação empresarial.
Após o Estadão contatar a equipe dela, o tesoureiro do partido admitiu o erro e disse que já remeteu a correção ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraná (TRE-PB).

Na declaração que enviou à Justiça Eleitoral, Olívia informou ainda ser dona de um veículo avaliado em R$ 192,5 mil, de uma máquina de ultrassom de R$ 94,5 mil, além de ter R$ 536 mil em espécie. No total, seu patrimônio era de R$ 877,2 mil.

Para obter os dados que estavam omitidos na declaração, o Estadão cruzou sete certidões obtidas na Junta Comercial do Estado da Paraíba (Jucep-PB) com a declaração de patrimônio entregue ao TSE. O montante omitido ultrapassa em 20,3% o patrimônio total que a médica radiologista informou à justiça eleitoral.
Olívia tem cotas em empresas de serviços médicos especializados, atividades de rádio e uma instituição de ensino superior. Ela ainda detém R$ 722,6 mil na Dutra Beach Resort Incorporação SPE LTDA, com capital social de R$ 7,9 milhões.

Conforme a certidão, a Dutra Beach Resort tem o objetivo de planejar e desenvolver uma incorporação imobiliária e construir um edifício multifamiliar de 14 apartamentos em Cabedelo (PB). O documento, firmado em junho de 2024, indica que a obra deve durar 39 meses, ou seja, até setembro de 2027.
A irmã de Motta possui, ainda, R$ 100 mil na MW Empreendimentos Imobiliários LTDA, e R$ 74,9 mil na OMW Serviços Médicos Especializados LTDA, entre outras empresas. Somadas, as sete empresas – para as quais entrou de agosto de 2017 a janeiro de 2025 – têm R$ 8,7 milhões de capital social; a médica possui 12,2% do total.
Olívia se tornou sócia do Sistema Ita tiunga de Comunicação LTDA e da Rádio FM Itatiunga LTDA no segundo semestre de 2017. À época, o pai, o candidato ao Senado e ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), deixou as operações e lhe transferiu as próprias cotas.
O Estadão entrou em contato com a equipe da candidata para obter esclarecimentos sobre a omissão de bens. A resposta foi dada pelo tesouraria do Republicanos.
“A declaração de bens apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba atende a legislação vigente, estando ainda de acordo com a declaração de imposto de renda. No entanto, houve um erro humano no preenchimento da declaração de bens no sistema eleitoral, realizado pelo partido. A inconsistência identificada já foi devidamente sanada junto ao TRE-PB”, informou o Tesoureiro do Republicanos da Paraíba, Luíz Gomes Júnior.
Nesta quinta-feira, 13, a declaração de Olívia foi corrigida e seu patrimônio total subiu para R$ 2,2 milhões. Além das participações em empresas, também foram incluídas na nova declaração uma casa de R$ 74,9 mil e 50% de um apartamento avaliado em R$ 125 mil.
A médica e empresária estreia na política em busca de suceder a avó, a deputada estadual Francisca Motta (Republicanos-PB), que conduz o sexto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa da Paraíba (Alepb). Assim, também segue os passos do irmão, alçado à Câmara sob a influência de Francisca e de Nabor. Patos representa o reduto eleitoral das famílias Motta e Wanderley, que têm galgado cada vez mais influência no jogo de xadrez da política local.
O artigo 54 da Constituição Federal proíbe deputados e senadores de atuarem no controle ou na direção de quaisquer empresas que possam obter benefícios do poder público e de exercer atividades remuneradas nelas. Já os prefeitos devem obedecer às restrições das leis orgânicas municipais de onde despacham.




