Flávio Bolsonaro cogita se mudar para SP até as eleições por logística e proximidade com Tarcísio

Três razões sustentam a ideia: o tamanho do colégio eleitoral paulista; a logística; e manter maior alinhamento com a campanha do governador, a fim de facilitar a transferência de votos entre os dois

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Foto do autor Guilherme Caetano
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BRASÍLIA — O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu a aliados a possibilidade de se mudar para São Paulo até o fim das eleições. A ideia vem dos marqueteiros da campanha, Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer.

Três argumentos motivam essa possibilidade. Um deles é que o Estado de São Paulo, com seus cerca de 45 milhões de habitantes, é o maior colégio eleitoral do País: 34,6 milhões de eleitores, um quinto dos votos brasileiros. A capital, sozinha, tem 9,3 milhões.

Flávio Bolsonaro participa do lançamento da pré-candidatura ao Senado de André do Prado ao lado de Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite Foto: @andredopradosp via Instag

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Em segundo lugar está a logística. São Paulo se situa entre o Sul, importante reduto para o bolsonarismo; a terra-natal de Flávio, o Rio de Janeiro; e Minas Gerais, o “Estado-pêndulo” das eleições brasileiras.

Desde a redemocratização (1985) até hoje, nenhum candidato eleito à Presidência da República perdeu em Minas Gerais. Pelo fato de o Estado ter a segunda maior população (21,4 milhões de habitantes) e proximidade com regiões diversas do País, do Centro-Oeste ao Nordeste, sua população costuma espelhar a preferência política do Brasil com certa similaridade.

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Por fim, a equipe de Flávio entende ser estratégico manter uma conexão mais estreita com a campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), peça-chave para a manutenção do voto bolsonarista no Estado.

Aliados de Flávio querem grudá-lo no governador, que goza de boa popularidade: 54% dos paulistas aprovam e 29% desaprovam a sua gestão, segundo uma pesquisa Quaest divulgada em abril. Apesar de a aprovação ter diminuído seis pontos percentuais desde 2025, o saldo é considerado alto.

No segundo turno da eleição de 2022, apesar de ter perdido para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na capital, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu vitorioso no Estado por 55,24% dos votos, contra 44,76% do petista.

Tarcísio derrotou Fernando Haddad (PT) por um placar similar: 55,27% contra 44,73%. Flávio trabalha para ter a maior transferência possível de votos desse eleitorado que ficou com seu pai na disputa passada

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A tarefa do PL se torna mais premente na medida em que o PT também planeja preservar cada um dos aproximadamente 11,5 milhões de eleitores. A escolha por repetir a candidatura de Haddad é parte dessa estratégia.

Parte da equipe de Flávio já migrou para a capital paulista: os publicitários Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer fecharam contrato com a produtora Digital 21 e fixaram base na cidade.

A Aldeia Filmes, que sediava o QG da campanha no Lago Sul de Brasília, teve o contrato rompido, e a equipe de comunicação vem trabalhando do prédio da sede do PL, na região central.

Oltramari e Fischer chamaram o ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, Fábio Portela, para comandar o atendimento à imprensa da pré-campanha.

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Aliados de Flávio dizem que todos os marqueteiros que passaram pela pré-campanha tentaram convencê-lo a se mudar para São Paulo. O senador, no entanto, tem um nó a desatar antes de dar pontapé no projeto: a família.

A esposa Fernanda Bolsonaro e duas filhas estão habituadas a Brasília, onde também mora o pai e seu principal mentor, Jair Bolsonaro, que ele costuma visitar mais de uma vez por semana. É o ex-presidente, por exemplo, quem deve bater o martelo sobre a escolha da vice na chapa do filho.

Caso o plano de fixar residência em São Paulo até outubro naufrague, Flávio deve pelo menos estar mais presente na cidade, de preferência semanalmente. Esse movimento deve acontecer a partir do início da campanha eleitoral, de qualquer forma, por conta de alguns dos principais debates na TV entre os candidatos à Presidência.

O próprio lançamento de sua candidatura oficial à Presidência da República, por exemplo, será na convenção do PL em São Paulo — e não em Brasília, onde ele mora, ou no Rio, sua base eleitoral, como seri de se esperar.

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A migração do núcleo da comunicação de Brasília a São Paulo visa blindar a equipe de interferência política e “fogo amigo”, dizem aliados de Flávio. Como o Estadão mostrou, esse grupo passa por disputas internas em meio ao rescaldo do caso Vorcaro e à queda nas pesquisas de intenção de voto.

Há uma rivalidade “fisiológica” dentro da equipe pela proximidade com Flávio e influência sobre a campanha, segundo relatos dos integrantes. O controle sobre o que vai ser publicado nas redes sociais do senador, que tipo de discurso ele vai adotar e como ele vai se vender enquanto presidenciável são focos de desentendimentos.

Houve baixas no último mês por conta dessa concorrência interna. Um dos atritos ocorre entre Fernando Pessoa, assessor do gabinete do Senado que hoje atua como uma espécie de marqueteiro digital, e os profissionais de publicidade que chegam para trabalhar na equipe. O então estrategista de mídias sociais da campanha, Marcos Carvalho, por exemplo, deixou o projeto dias atrás após divergências com Pessoa.

O empresário Marcello Lopes, amigo de Flávio que coordenava a área de comunicação, também deixou a equipe após entrar em rota de colisão com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha. Profissionais ligados a “Marcelão” caíram junto dele.

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A outra disputa, a “ideológica”, também causa insatisfações. Uma ala se queixa da pressão por acenos ao bolsonarismo raiz feita por aliados externos, como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, enquanto os profissionais comunicação defendem privilegiar o eleitorado indeciso e moderado, cujo voto o PL disputará com o PT para vencer a corrida.

A ida aos Estados Unidos para o encontro com o presidente Donald Trump no mês passado desagradou a essa ala, em especial após o senador ser associado ao novo tarifaço anunciado pela Casa Branca — a que Flávio tenta se desvincular na medida em que o PT trabalha para fazer pegar o apelido “Tariflávio”.