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Lula faz aceno à participação de Simone Tebet no governo e senadora defende âncora fiscal

Ex-presidente afirma que não montará equipe antes de ganhar, mas adiantou que ministério não será formado por ‘uma única ideologia’

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Por Beatriz Bulla , Luiz Vassallo e Giordanna Neves (Broadcast)
Atualização:

O ato conjunto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Simone Tebet (MDB) para selar o apoio da senadora à candidatura do ex-presidente aconteceu nesta sexta-feira, 7, com acenos dos dois lados sobre o encaminhamento da campanha eleitoral contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula sinalizou que a emedebista pode ser convidada a participar de eventual governo, se for eleito. Simone, por sua vez, defendeu a adoção pelo PT de uma “âncora fiscal mínima” em substituição ao teto de gastos.

Lula disse que não poderia “montar governo antes de ganhar”, mas reiterou que o Brasil “não será governado por um único partido, uma única ideologia, esse país é muito grande, precisamos juntar muitas pessoas para montar um governo”. O petista também disse esperar que Simone “esteja junto para ajudar a executar” as propostas que pediu que a senadora pediu que a campanha de Lula incorporasse.

Simone Tebet apoia Lula no segundo turno da eleição presidencial contra Bolsonaro Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO

“Com muita tranquilidade eu vou trabalhar para ganhar as eleições. A participação da Simone vai nos ajudar muito. Depois que a gente ganhar, vamos sentar numa mesa e vamos começar a discutir como a gente monta a equipe para dar vazão aquilo que são nossas propostas”, afirmou Lula, que se encontrou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso depois do ato conjunto com Simone Tebet – o tucano já declarou voto no petista no segundo turno.

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O encontro dos dois diante da imprensa foi celebrado por aliados de Lula, que consideram este o maior trunfo da campanha no segundo turno. Dois dias antes, os dois almoçaram na casa da ex-prefeita Marta Suplicy e Simone anunciou seu voto no candidato do PT à Presidência.

Simone apresentou propostas a Lula na quarta-feira e, no mesmo dia, o ex-presidente disse que elas seriam incorporadas em seu plano de governo e abriu caminho para o evento público desta sexta-feira, que aconteceu em um hotel em São Paulo. A senadora irá participar dos programas de Lula na TV, durante o horário eleitoral, e estará em palanques com o ex-presidente.

Segundo ela, o encontro é “exigido pela história”. “Temos nossas diferenças políticas, econômicas, mas são infinitamente menores do que nos une”, disse, ao lado do petista.

“Hoje eu estou aqui muito feliz para dizer que o presidente Lula, a sua equipe econômica, de assessores, acaba de receber e incorporar todas as sugestões que fizemos no nosso programa de governo ao seu programa de governo. Com isso, o que nós estamos dizendo aqui é que pensamos da mesma forma o Brasil que queremos”, afirmou.

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Já Lula agradeceu o apoio de Simone e disse que as mulheres do País devem ter sentido orgulho de ver o desempenho da senadora na disputa presidencial deste ano. Em fala direcionada à Tebet, ele disse que a missão de recompor o Brasil não será fácil visto que o adversário, o presidente Jair Bolsonaro (PL), não é um “adversário qualquer” ou um “político normal”. “Estamos diante de um homem sem alma, sem coração”, afirmou o petista.

Senadora pelo Mato Grosso do Sul, Simone Tebet disse que assumirá as missões que a campanha exigir, incluindo na articulação com o agronegócio, e garantiu que irá se engajar, afirmando que seu apoio não é apenas uma declaração de voto. Ao lado de Lula, ela afirmou não ter dúvidas de que é possível reverter a vantagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) no ramo. “Sou do agronegócio e estou pronta, inclusive, para desmistificar essa tese equivocada que só interessa ao atual presidente, que o agronegócio ou o meio ambiente. Quando, na verdade, os dois andam juntos”, disse.

Lula endossou a fala da senadora e disse que o agronegócio pode ser sua própria vítima se não tiver empresários com preocupação sustentável, “com mentalidade que Planeta pede socorro e que clima não é mais questão secundária”.

Em entrevista ao Estadão publicada nesta sexta-feira, Simone Tebet criticou a falta de detalhamento do programa de Lula e afirmou que “ao olhar apenas para o retrovisor e falar dos possíveis acertos do passado”, o petista “menosprezou e não deu conforto para o eleitor”. Nesta sexta-feita, questionado se pretendia detalhar propostas no segundo turno, Lula afirmou que “o detalhamento das propostas já está no programa de governo”.

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Simone defendeu a existência de “alguma âncora fiscal mínima”. A campanha Lula-Alckmin já indicou que irá revogar o teto de gastos e que adotará nova regra fiscal. Em reportagem publicada nesta quinta-feira, o Estadão mostra a divisão que existe dentro da campanha sobre o novo arcabouço fiscal para substituir o teto de gastos. A coordenação do programa de governo da chapa Lula-Alckmin informou ao Estadão que o formato de uma nova regra fiscal para as contas do governo dependerá das condições das contas públicas que o novo governo irá encontrar, caso seja eleito, e do processo de negociação com o Congresso e a sociedade brasileira.

“Entendo a posição do PT que é contra o teto de gastos, mas também é preciso entender que é preciso alguma âncora fiscal mínima até para que o orçamento público - hoje, privado e no bolso de meia dúzia -, possa voltar para o Executivo”, afirmou Simone Tebet, ao lado de Lula. “O orçamento secreto de R$ 19 bilhões neste ano só não virou R$ 30 bilhões porque quando bateu lá no Ministério da Fazenda eles viram que batia no teto de gastos que eles não tinham condições de liberar”, afirmou a senadora, indicando que a âncora fiscal é também um instrumento para limitar o orçamento secreto.

Tebet afirmou que a equipe econômica “tem que entender qual é o melhor caminho” e que “não necessariamente” é um teto de gastos. “Alguma âncora mínima que dê conforto ao mercado, tranquilidade para os investidores para que a gente possa ter uma economia equilibrada, mas isso é por conta da própria equipe econômica . E isso vai fazer com que tenhamos uma forma de blindar da má política de parte do Congresso Nacional”, defendeu a emedebista.

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Lula voltou a citar seus governos passados para indicar que tem compromisso com a responsabilidade fiscal. “Quando eu peguei esse país em 2003, a gente tinha uma dívida pública interna de 60,5% e reduzimos para 37,7%. A gente tinha uma dívida do FMI de 30 bilhões. Pagamos e emprestamos ao FMI. Levamos a inflação à meta e reduzimos o desemprego gerando 22 milhões de empregos”, afirmou Lula. “E você sabe que dentro do PT esse negócio de fazer superávit primário fez com que muita gente saísse do PT. O PSOL foi criado disso, de racha do PT por causa do superávit primário. Eu passei a vida toda contra superávit primário, quando cheguei na Presidência eu vi que era preciso fazer e fizemos”, afirmou o petista.

“Então, responsabilidade fiscal temos e não precisamos de lei garantindo isso”, disse Lula, repetindo o discurso que tem mantido sobre o tema. O petista também afirmou que uma âncora fiscal não pode significar o fim do investimento em saúde e educação. “É preciso definir o que é investimento e o que é gasto”, disse Lula.

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