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Bastidores da política e da economia, com Julia Lindner e Gustavo Côrtes

Investigados apostam no 'quanto pior, melhor'

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Por Luiza Pollo
Atualização:

 Foto: Dida Sampaio/Estadão O clima entre os líderes favoráveis à reforma da Previdência no Congresso é de otimismo, porém com moderação. Um deles se lembrou da expressão que celebrizou a reta final de uma das vitórias do brasileiro Ayrton Senna (1960-1994) na F-1: "estamos dirigindo na ponta dos dedos". Ainda que a oposição esteja sem força e fôlego para, junto dos sindicatos, mobilizar a sociedade, há sempre a preocupação quanto à capacidade do próprio governo de produzir ruídos na articulação e com a opinião pública, como o dos policiais semana passada. Onde mora... O grande risco, a partir de agora, avaliam os mais experientes, passa mesmo a ser desconfiguração completa do texto no plenário da Câmara. ... o perigo. Até quem defende a inclusão de Estados e de municípios na reforma reconhece que esticar demais a corda nesse ponto pode comprometer a fase finalíssima da costura. PUBLICIDADE inRead invented by Teads Análise."O ideal seria a reforma incluir os Estados. Ainda tenho esperança. Mas o clima entre os governadores e o Parlamento azedou muito. Acho que o gesto tinha que vir deles, o Congresso precisa ser ganho (convencido)", afirma o ex-governador Paulo Hartung(ES). Blindada? Até os líderes mais pessimistas reconhecem, no entanto, a resiliência da atual reforma da Previdência, que avança no Congresso apesar do destempero verbal do governo. Paz. Rodrigo Maia disse a um grupo de parlamentares que não é bom brigar com ministro da Economia, pois ele sempre ganha a opinião pública. O presidente da Câmara dá o exemplo: seus embates públicos com Paulo Guedes cessaram. A disputa... O deputado e sindicalista Paulinho da Força (SD-SP) promete apresentar um destaque no Plenário para amenizar a regra de transição do regime geral e do funcionalismo. ...não acabou. Entidades de servidores públicos estão céticas quanto à aprovação. Querem mesmo é colocar no circuito o presidente do STF, Dias Toffoli, e a PGR, Raquel Dodge. Pra lá de quarta. São muito pequenas as chances de votação amanhã. Anote aí. A oposição errou ao apostar que o inferno astral de Sérgio Moro (Justiça) tivesse força para travar o trâmite da reforma. Um líder do Comissão Especial explica: os problemas do ministro são de outra natureza e devem ser tratados mais adiante. Pronto. O deputado Pedro Lupion (DEM-PR) apresentará relatório de projeto para desburocratizar a gestão pública, de autoria de Alessandro Molon (PSB-RJ). Uma das novidades será obrigar a administração pública a acompanhar resultados de governança. Costura... A "nova" Secretaria de Governo, agora sob gestão do general Luiz Eduardo Ramos, terá como prioridade total azeitar a articulação política. ... pra dentro. Não ganhará destaque neste momento o trabalho de relacionamento com a sociedade civil. Background. Alçado para a Secretaria Executiva que cuidará da articulação política, Jonathas Assunção atuou na MP do Saneamento quando comandava essa área no Desenvolvimento Regional. O texto caducou por falta de acordo. PRONTO, FALEI! Augusto Heleno, chefe do GSI

Deputados investigados na Lava Jato apostam no "quanto pior, melhor" como estratégia para forçar um acordão que os beneficie. O governo já identificou esse discurso nas justificativas de aliados para votar contra as reformas ou projetos de seu interesse. Esse grupo defende a rejeição da reforma da Previdência não por convicção, mas por saber que terá implicações na economia. Dizem: "Já que estamos na lama, vamos jogar o País também". O caos, apostam, levaria todos os setores - economia, política e Judiciário - a sentar para conversar.

Para tentar mudar o discurso dos rebeldes, o método será o tradicional mesmo. As emendas ao Orçamento serão liberadas pelo governo de acordo com o placar das votações das reformas e projetos de interesse do Executivo.

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