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Pazuello ganha cargo de confiança na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência

Nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na tarde desta terça

Foto do author Felipe Frazão
Foto do author Luci Ribeiro
Por Felipe Frazão e Luci Ribeiro
Atualização:

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro abrigou o ex-ministro da Saúde, general do Exército Eduardo Pazuello, com um novo cargo de civil no Palácio do Planalto. Pazuello foi nomeado nesta terça-feira, 1.º, para uma função na Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, com salário de R$ 16.944,90.

O general Pazuello será secretário de Estudos Estratégicos no órgão comandado pelo almirante Flávio Augusto Viana Rocha, militar da ativa da Marinha. A nomeação saiu em edição extra do Diário Oficial da União, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, o general da reserva do Exército Luiz Eduardo Ramos.

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante depoimento à CPI da Covid, no Senado Foto: Gabriela Biló / Estadão

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A nomeação de Pazuello ocorreu a poucos dias de o Comando do Exército decidir sobre um procedimento de apuração disciplinar contra ele. O novo secretário participou de um ato político em apoio ao presidente, e ao lado dele, com motociclistas no Rio, no último dia 23. As normas militares proíbem expressamente qualquer tipo de manifestação.

Pazuello também é um dos principais alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid do Senado, a CPI da Covid. Ele já foi interrogado pelos senadores e deverá ir novamente à comissão. Uma nova convocação do ex-auxiliar já foi aprovada pelo colegiado.

O comandante-geral, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, deve ouvir pessoalmente Pazuello, depois de os argumentos de defesa do ex-ministro não terem convencido a cúpula do Exército. Ele alegou que a manifestação não tinha viés político, porque o presidente não está filiado a partido. Oficiais que acompanham o caso avaliam que Pazuello deve receber uma punição branda ou média, de advertência verbal a uma censura por escrito.

Na tentativa de blindar Pazuello politicamente, Bolsonaro apresentou a mesma argumentação em uma "live", deixando claro ser contra a punição ao ex-ministro da Saúde. Ele já havia oferecido um novo cargo civil ao ex-auxiliar no governo.

Pazuello estava até agora como adido na Secretaria-Geral do Exército, um órgão burocrático, à espera de uma nova posição militar. Segundo oficiais que despacham no Quartel-General, havia um clima de constrangimento para que ele voltasse a assumir qualquer cargo de comando de tropa novamente, por causa da vinculação política e da transgressão disciplinar.

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O novo cargo deve voltar a colocar em xeque a decisão de Pazuello de não passar à reserva. Ele continua sendo pressionado a deixar o serviço ativo, mas deu indicações de que não deseja encurtar a carreira enquanto durar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, da qual é alvo. Pazuello pode permanecer até 2022 no serviço ativo como general de Divisão. A seu favor, pesa o fato de o almirante Viana Rocha também permanece na ativa. 

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