Placar da Anistia: 201 deputados são a favor de perdão para condenados pelo 8 de Janeiro

Projeto de interesse de Bolsonaro está a 56 de alcançar maioria absoluta na Câmara; veja como votou cada deputado em levantamento exclusivo do ‘Estadão’

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Atualização:

BRASÍLIA - O Placar da Anistia do Estadão – levantamento exclusivo para identificar como cada um dos deputados se posiciona sobre o tema – mostra que 201 dos 513 parlamentares da Câmara dos Deputados apoiam o perdão aos condenados presos pelos Atos Golpistas do 8 de Janeiro. A marca foi atingida nesta segunda-feira, 7, um dia após a manifestação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal fiador da proposta, na Avenida Paulista.

Anistia aos presos pelos Atos Golpistas de 8 de Janeiro é apoiada por 200 deputados Foto: Wilton Junior/Estadão

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O número de deputados que apoiam a proposta ainda não é suficiente para garantir a apresentação da urgência do projeto de lei no plenário da Casa. Colocar o texto como prioridade para ser analisado pela Câmara é o principal objetivo do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL).

Com os 201 apoiadores da ideia, o projeto está a 56 votos de atingir a maioria absoluta da Câmara. Para uma proposta de lei ser votada na Casa, é preciso haver pelo menos 257 deputados na sessão. O texto é aprovado com votos da maioria simples, ou seja, maioria dos presentes.

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Do total de deputados, 433 (84% da Casa) responderam às três perguntas sobre o tema. Os deputados podiam escolher as opções “sim”, “não” ou “não quero responder” à principal questão: se eram a favor ou contra a anistia. (Leia mais sobre como foi a metodologia da pesquisa mais abaixo).

Além dos 201 que disseram apoiar a proposta, 127 disseram ser contra a anistia e 105 não quiseram responder. Outros 80 deputados não deram retornos para a equipe de reportagem.

Com 79 apoiadores, o PL de Bolsonaro é o partido com maior número de apoiadores da anistia. Em seguida aparecem União Brasil (25), Republicanos (19), PP (17), MDB (17) e PSD (15). Os cinco últimos possuem ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Já o PT de Lula é o maior partido de oposição ao projeto, com 66 deputados declarando voto contrário. Depois da sigla, aparecem PSOL (13), PSB (8), PCdoB (7) e PDT (6).

Entre os defensores da anistia, a maior parte deles quer que o benefício atinja a todos os envolvidos nos atos golpistas, segundo o Placar da Anistia do Estadão. A pesquisa aponta que 121 deles querem uma anistia total, 56 deles a redução da pena, enquanto 127 não querem nenhuma das duas coisas. Fazem parte desse grupo os contrários à anistia. Mais de uma centena (130) de parlamentares não quiseram responder a essa pergunta.

O tema da anistia começou a ganhar tração no Congresso Nacional no ano passado, quando Bolsonaro começou a defender o benefício aos presos do 8 de Janeiro, que, segundo ele, não o beneficiaria.

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Porém, o texto de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que está mais adiantado na Câmara, também abre brecha para favorecer o ex-presidente. Isso se dá porque a lei que pode abranger pessoas que participaram de eventos antes ou depois de 8 de janeiro de 2023, que tenham conexão com os atos daquele dia.

No último dia 26, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Bolsonaro e sete aliados réus por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Na denúncia elaborada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente é apontado como líder de uma trama que culminou no 8 de Janeiro.

Outra pergunta feita aos deputados pelo Estadão foi se anistia deveria beneficiar Bolsonaro e os sete aliados. Neste tema, o apoio diminui com 174 deputados declarando que o perdão não deveria ser estendido para o ex-presidente e outros 123 defendendo que sim. Outros 136 não quiseram responder.

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Neste domingo, 6, na Avenida Paulista, Bolsonaro pressionou o Congresso para votar a anistia em uma manifestação que contou com sete governadores aliados e 44,9 mil apoiadores, segundo o Monitor do Debate Público da Universidade de São Paulo (USP).

“A grande maioria do povo brasileiro entende as injustiças, e agora se socorre na nossa Câmara e no nosso Senado para fazer justiça. E a anistia é competência privativa do Congresso Nacional. Caso o projeto seja sancionado ou promulgado, vale a anistia. Estamos aqui impulsionados pelo episódio da Débora”, declarou o ex-presidente.

Saiba como foi feito o levantamento

O Estadão contatou todos os 513 deputados presencialmente, por telefone, via assessoria de imprensa e por e-mails enviados aos gabinetes. Os parlamentares foram abordados durante sessões do plenário da Câmara e do Congresso, nas comissões da Casa e em seus gabinetes.

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Até a publicação deste texto, 84% dos parlamentares responderam ao questionário. Outros 80 deputados não deram retorno.

Foram feitas três perguntas:

  • O sr/sra. é a favor da concessão de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro? Possíveis respostas: Sim - Não - Não quis responder
  • O sr/sra. concorda com proposta de anistia total (isenção da pena e processo) ou redução da pena aos envolvidos? Possíveis respostas: Anistia total - Redução da pena - Nenhuma das duas
  • O sr/sra. considera que a anistia também deve atingir os denunciados ao STF no processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas? Possíveis respostas: Sim - Não

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Reportagem: Levy Teles, Weslley Galzo e Gabriel de Sousa. Colaboraram Adriana Victorino e Gabriela Carvalho, especiais para o Estadão; Infografia e desenvolvimento: Lucas Thaynan; Editora de infografia: Regina Elisabeth Silva; Editores-assistentes de infografia: Adriano Araujo e William Mariotto; Editores de Política: Francisco Leali e Samanta Nogueira; Editor Executivo em Brasília: Murilo Rodrigues Alves

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