Vila Leopoldina e Santo Amaro, em SP, têm alta de furtos: ‘Levam tudo que estiver à vista’

Ruas próximas ao Ceagesp, Parque Villa-Lobos e ao metrô estão entre pontos visados; secretaria diz que polícias atuam de forma integrada nessas regiões

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Foto do autor Ítalo Lo Re
Foto do autor Cindy Damasceno
Atualização:

"Roubos aterrorizam classe média porque estão de fato mais presentes em bairros nobres", diz diretor

Diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno avalia alta de latrocínios na capital paulista.

As regiões da Vila Leopoldina (zona oeste de São Paulo) e de Santo Amaro (sul) tiveram altas de furtos superiores a 20% entre janeiro a maio, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Os distritos policiais das áreas – 91º e 11º, respectivamente – estão entre os 10 com maior aumento.

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Ruas próximas ao Ceagesp, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, ao Parque Villa-Lobos e ao metrô estão entre as mais visadas pelos ladrões, relatam os moradores.

O crescimento nos dois distritos supera com folga a alta geral na cidade (5,1%) no período. Já os roubos (se há ameaça física ou grave ameaça) caíram 14%.

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Em nota, a secretaria diz não recomendar “rankings de áreas com características territoriais, demográficas e socioeconômicas distintas”. Acrescenta que as polícias atuam de “forma permanente e integrada” no combate a todos os tipos de crimes nessas regiões (leia mais abaixo).

Monte Pascal e Gavião Peixoto

As maiores concentrações de furtos em maio no bairro foram em ruas próximas da Lapa, como a Monte Pascal e a Brigadeiro Gavião Peixoto, segundo o Radar da Criminalidade, ferramenta do Estadão. A plataforma reúne dados de roubos e furtos de celular; roubos e furtos de veículos; latrocínios e extorsões mediante sequestro na cidade.

Na Rua Monte Pascal e arredores, houve alta de 175% na soma desses seis crimes em maio, com 22 casos (10 são furtos de celular). Já na Gavião Peixoto, são 12 crimes mapeados (ante quatro no mesmo mês de 2024). Por ali, destacam-se os furtos de veículos (7 casos).

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O Radar leva em conta um raio de 500 metros a partir do endereço indicado.

A SSP diz que o 91º DP, junto da 3ª Delegacia Seccional, faz operações periódicas, como a Drake, voltada ao combate de roubos de motos, e a Pedal, que visa a abordar falsos ciclistas entregadores de aplicativo.

A pasta também destaca ações com base na análise dos pontos críticos e o reforço no policiamento preventivo e ostensivo.

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Na região atendida pelo 91º DP, maiores concentrações de ocorrências de furto em maio foram em ruas como a Monte Pascal e Brigadeiro Gavião Peixoto Foto: Estadão

Hassib Mofarrej, Gastão Vidigal e Imperatriz Leopoldina

A Vila Leopoldina teve aumento de 23,5% nos furtos de janeiro a maio. Já os roubos avançaram 3,4%, na contramão da queda na cidade.

As abordagens costumam ser rápidas, dizem os moradores. “Levam celular, aliança... Levam tudo que estiver à vista”, diz Roberto Bortoni, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região. “O que mais temos são furtos cometidos por pessoas a pé ou de moto.”

No dia 22, um suspeito foi preso após furtar um celular na Rua Trípoli, em ação flagrada por câmeras de segurança.

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Conforme a Polícia Militar, ele fugiu de bicicleta no sentido Avenida Imperatriz Leopoldina, mas foi capturado pela polícia e depois reconhecido pela vítima. O telefone foi achado em um condomínio da região.

Segundo Bortoni, destacam-se há algum tempo casos em vias próximas ao Ceagesp, como a Rua Hassib Mofarrej e a Avenida Doutor Gastão Vidigal, e ao Parque Villa-Lobos, a exemplo da Avenida Imperatriz Leopoldina. “Há um movimento de moradores por mais rondas policiais nessas áreas”, afirma Bortoni.

Em Santo Amaro, apesar de queda de 18,1% de roubos, os furtos avançaram 21,7%. É a 8ª maior alta entre todos os distritos da capital de janeiro a maio:

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  1. Vila Ema (70º DP): alta de 41,9%, com 572 casos;
  2. Pari (12º DP): alta de 36,8%, com 3.417 casos;
  3. Butantã (51º DP): alta de 32,5%, com 1.073 casos;
  4. Vila Mariana (36º DP): alta de 30,1%, com 2.142 casos;
  5. Tatuapé (30º DP): alta de 25,6%, com 1.572 casos;
  6. Vila Leopoldina (91º DP): alta de 23,5%, com 1.000 casos;
  7. Alto da Moóca (18º DP): alta de 23%, com 461 casos;
  8. Santo Amaro (11º DP): alta de 21,7%, com 2.496 casos;
  9. Belém (81º DP): alta de 21,4%, com 544 casos;
  10. Jardim Robru (67º DP): alta de 21,2%, com 463 casos.

Em números absolutos, os distritos com mais furtos no período foram:

  • Perdizes (23º DP, com 4.276 registros);
  • Sé (1º DP, com 4.180 registros)
  • Pinheiros (14º DP, com 3.905 registros).

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Concentração de casos entre a Avenida Adolfo Pinheiro e o Largo Treze de Maio, na região de Santo Amaro Foto: Estadão

Adolfo Pinheiro, Isabel Schmidt e Largo Treze

Na região de Santo Amaro, uma das vias com mais ocorrências mapeadas pelo Radar é a Avenida Adolfo Pinheiro, em especial perto da estação de metrô de mesmo nome, da Linha 5-Lilás.

Por lá, mais especificamente na altura do número 301, a alta é de 115,4% nos crimes – são 56, mais da metade (34) furtos de celular. Na Rua Isabel Schmidt, a alta foi de 107,7%.

No Largo Treze de Maio, outro importante ponto da região, os furtos subiram 100% por lá, com concentrações na Avenida Padre José Maria.

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“Tem de reforçar a necessidade de fazer boletim de ocorrência, porque isso auxilia inclusive em pedidos de prisão preventiva”, afirma Luciana Vieira, presidente do Conseg Santo Amaro.

No domingo, 13, um suspeito foi preso após roubo de medicamentos em uma farmácia na Avenida Santo Amaro. Conforme a PM, ele foi detido após abandonar um carro usado para fugir com dois comparsas, que seguem buscados pela polícia.

A carga de remédios encontrada com o suspeito, conforme a PM, é avaliada em R$ 95.249. Entre os medicamentos, estavam canetas de emagrecimento, que têm sido alvo de quadrilhas na capital.

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Amaro Guerra

Entre os endereços com queda nos crimes, está a Rua Amaro Guerra, onde o delegado Josenildo Belarmino de Moura Junior, de 33 anos, foi assassinado a tiros durante assalto em janeiro – a via, na Chácara Santa Antônio, também é atendida pelo 11º DP. O principal suspeito pelos disparos foi preso em junho.

Em nota, a secretaria afirma que, como reflexo das estratégias adotadas nas regiões da Vila Leopoldina e de Santo Amaro, os dois distritos registraram, neste ano, a prisão e apreensão de 1.199 suspeitos, alta de 17% ante o mesmo período do ano passado.

“A Polícia Civil, por meio do 11º Distrito Policial e demais unidades, tem intensificado as ações de repressão qualificada e investigação, com foco especial nos crimes patrimoniais. Entre abril e junho, foram representados 32 mandados de busca e apreensão, resultando na prisão de criminosos e na elucidação de diversas ocorrências”, diz.

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A pasta destaca flagrantes de associação criminosa, receptação qualificada, estelionato e falsidade ideológica, além da identificação de autores de furtos e roubos, incluindo de veículos e de comércio.

As investigações também possibilitaram, continua a SSP, localizar celulares roubados, o esclarecer furtos de veículos de locadora e interromper a ação estelionatários que agiam em quiosques de centros comerciais.